Kirchner agravou tensão com Brasil, diz ?La Nacion?

O diário argentino ?La Nacion? destaca nesta quinta-feira o que chama de "mal-estar" gerado por uma declaração do presidente argentino, Néstor Kirchner, para a delegação brasileira que participa da reunião do Mercosul, em Puerto Iguazú, na Argentina. Segundo o jornal, a tensão já existente entre os dois países devido à adoção de medidas protecionistas pela Argentina contra eletrodomésticos brasileiros foi agravada quando Kirchner disse que o Mercosul não serve "para que um só país se beneficie".O jornal afirma que o líder argentino "potencializou" o clima negativo entre os dois países "ao acrescentar que a Argentina cogita ampliar as restrições a outros produtos, como os têxteis".De acordo com a publicação, desde que se conheceram, Kirchner e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm promovido um equilíbrio entre uma "amizade política e diversos sobressaltos e receios na relação comercial".O ?La Nacion? disse que membros da comitiva de Kirchner reconheceram que, "irremediavelmente, o conflito passou a ser o tema central da reunião".Problemas estruturaisCom o título ?Desequilíbrios no Mercosul?, um editorial de outro jornal argentino, o ?Clarín?, diz que a decisão argentina de impor restrições a produtos brasileiros "deixa claro problemas conjunturais, mas também velhos problemas estruturais no Mercosul e no sistema produtivo local".De acordo com o jornal, a relação econômica entre os dois países se "reverteu ultimamente", entre outros fatores, porque a recuperação ?da economia Argentina provocou uma forte demanda de importações, inclusive as do Brasil".O ?Clarín? acrescenta que "por outro lado, a economia brasileira está se movendo a um ritmo lento, o que diminuiu suas importações e aumentou o estoque da indústria (local), que precisa escoar produtos para o exterior".

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