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Kirchner amplia gasto por decreto

A dois meses da eleição, aumento de gasto atingirá US$ 4,7 bi. Títulos financiarão parte das despesas

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2025 | 00h00

O presidente Néstor Kirchner decidiu aumentar em 12% o gasto público previsto no Orçamento Nacional deste ano. A medida foi tomada a partir de um decreto em regime de "necessidade e urgência".O aumento, de US$ 4,739 bilhões, foi destinado a todas as pastas. Mas, a maior parte, US$ 2 bilhões, ficou nas mãos do poderoso braço-direito de Kirchner, o ministro do Planejamento Federal e Obras, Julio De Vido, envolvido em escândalos de corrupção. O aumento foi possível graças aos "super-poderes" - criados na época da crise econômica - que Kirchner possui para modificar o Orçamento Nacional.Parte do aumento, cerca de 75%, será coberto com a elevação da arrecadação tributária. O resto virá do aumento do endividamento, que o governo Kirchner conseguirá com a emissão de novos títulos da dívida pública.Com este inesperado aumento do gasto público Kirchner pretende cobrir o impacto da crise energética provocado pelos subsídios que teve que aplicar para os combustíveis e eletricidade. Além disso, cobrem os gastos das obras da usina nuclear de Atucha II (Kirchner ordenou a retomada das obras da usina, que estavam paralisadas há uma década).O aumento do gasto também servirá para cobrir os subsídios a trens e ônibus de transporte urbano. O decreto de Kirchner é editado a dois meses das eleições presidenciais, marcadas para o dia 28 de outubro. De olho nas eleições - e na consolidação da candidatura da primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner à presidência da República -, nos últimos meses, Kirchner disparou o gasto com obras públicas, aumento de aposentadorias, elevação dos salários do funcionalismo e verbas especiais para as províncias endividadas.Outro fator no aumento do gasto foi a falta de prevenção do governo com o abastecimento de energia. O agravamento da crise energética neste inverno - mais grave do que nos dois anos anteriores - obrigou Kirchner a importar gás adicional da Bolívia, diesel da Venezuela e eletricidade do Brasil e do Uruguai.MENOR PRODUÇÃOO Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) anunciou que a produção industrial em julho registrou um crescimento de somente 2,7% em comparação com o mesmo mês do ano passado. Essa proporção é inferior à média do primeiro semestre deste ano, de 6,4%. Em relação a junho, a produção de julho caiu 2,1%. A culpa desse desempenho esquálido foi a crise energética, que paralisou totalmente a produção de 900 empresas. Além disso, a escassez de gás e energia elétrica deixou semi-paralisadas outras 4 mil indústrias.

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