Kirchner chega ao Brasil às 22h30 de hoje

O presidente Néstor Kichner prevê desembarcar na noite desta terça-feira em Brasília, às 22h30. Ele cumprirá sua promessa pré-eleitoral de dedicar sua primeira viagem internacional oficial ao Brasil com o objetivo de solidificar os laços com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem se reunirá na quarta-feira, às 11 horas da manhã, numa nova empreitada que se inicia pelo fortalecimento do Mercosul.O presidente estará acompanhado por sua esposa, a senadora Cristina Fernández; o chefe de Gabinete, Alberto Fernandez; o chanceler, Rafael Bielsa, e seu vice, Martín Redrado; o novo embaixador argentino no Brasil, Juan Pablo Lohlé; o governador reeleito de Córdoba, José Manuel de la Sota; o porta-voz da Casa Rosada, Miguel Núñez; e o secretário privado da Presidência, Daniel Muñoz. Em Brasília, se somará à comitiva argentina o atual embaixador que está deixando o cargo, Juan José Uranga. Está previsto um almoço entre ambos presidentes e, em princípio, uma entrevista coletiva à imprensa às 15 horas. Kirchner regressará a Buenos Aires na mesma noite. O ministro de Economia, Roberto Lavagna também viajará com o presidente ao Brasil, de onde partirá aos Estados Unidos, onde se reunirá com o representante comercial norte-americano, Robert Zoellick.Enquanto os presidentes Kirchner e Lula conversarão sobre as estratégias entre ambos países para fortalecer o Mercosul e atrair os demais vizinhos para a aliança regional, o chanceler e seu vice deverão começar a debater com seus pares brasileiros os pedidos argentinos que serão apresentados nas reuniões do Grupo Mercado Comum (GMC), órgão executivo do Mercosul, que começarão hoje em Assunção, Paraguai, prévias à cúpula dos presidentes do bloco, no dia 16 de junho.A Argentina quer que os sócios lhe concedam uma extensão do prazo para continuar importando bens de capital sem pagar alíquotas, e também a aplicação de tarifas internas automáticas e temporais no caso de que se produzam defasagens comerciais provocadas por desvalorizações de moedas locais dos países membros, segundo fontes da chancelaria argentina.A Argentina argumenta que o Brazil produz bens de capital e que para a Argentina continuar no caminho da recuperação econômica, necessita de mais tempo para poder realizar importações de bens de capital sem pagar alíquotas. Já aplicação de tarifas internas consiste em fixar um sistema automático de alíquotas com prazos de 180 dias, com o fim de proteger as empresas que forem afetadas por uma forte desvalorização em qualquer um dos países sócios. As alíquotas seriam fixadas para equilibrar as cotações de câmbio das moedas do Mercosul frente ao dólar e não poderiam superar 22%, teto fixado para o comércio com outros países fora do bloco. Uma fonte diplomática brasileira considera desnecessária a medida, já que a evolução do peso e do real vem caminhado praticamente juntas, passo a passo, desde o final do ano passado. Um dos argumentos argentinos para a medida é que a mesma descarta totalmente a aplicação de salvaguardas no Mercosul, um pedido feito pela União Industrial Argentina (UIA) ao ministro de Economia, Roberto Lavagna, na semana passada, e completamente descartado pelo embaixador do Brasil em Buenos Aires, José Botafogo Gonçalves.

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