Kirchner critica empresas e especuladores, mas quer diálogo

O primeiro contato mantido pelo presidente Néstor Kirchner com os empresários e a Bolsa de Buenos Aires foi ao "estilo K": com críticas às empresas, mas com abertura ao diálogo. No aniversário de 149 anos da Bolsa, no começo da noite de ontem, o presidente recriminou os empresários e operadores por terem contribuído com a crise, e em diversas passagens de seu discurso, Kirchner marcou a diferença e a distância entre "nós" e "vocês". "Não deixaremos que sejam os setores de interesses, os que fixem a agenda dos temas que são prioritários para o país", disse em tom duro e firme. "Ao mercado de bolsas e aos seus operadores lhes cabe a responsabilidade central na tarefa de incentivar a produção, que deve ser financiada sobre a base da poupança e o investimento. Deve criar-se um mercado de capitais no qual a sorte e a especulação não sejam o único motivo para quem investe", afirmou. O presidente tentou sensibilizar sua platéia repleta de homens de negócios para o grave problema da fome no país: ?não sejam alheios à fome que padecem milhares de cidadãos e a crise de saúde que sofrem os anciões". Kirchner pediu mais investimentos e menos especulação: "Necessitamos de um sistema financeiro destinado à produção, não à especulação". Ao deixar o discurso lido, no improviso, o presidente repetiu várias de suas frases preferidas, como "construir um país normal e sério", e afirmou que está aberto a ouvir sugestões.

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