Kirchner defende medidas contra importações brasileiras

O governo argentino está decidido a enfrentar o Brasil para proteger a sua indústria e emitiu hoje claros sinais neste sentido. O presidente Néstor Kirchner defendeu as barreiras impostas por seu governo contra as importações de eletrodomésticos brasileiros. Segundo ele, as medidas foram adotadas para "evitar assimetrias" no comércio bilateral. "Quando pensamos no Mercosul, pensamos como formar o desenvolvimento industrial em todos os países, para que não se desenvolva em um só", disse o presidente. "Por isso, foram as últimas disposições sobre as linhas brancas", referindo-se às restrições para as importações de refrigeradores, fogões e máquinas de lavar roupas, e ainda os televisores.Antes de encontrar-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no final desta tarde, em Puerto Iguazú, Néstor Kirchner destacou que é preciso "evitar as assimetrias, buscas os pontos de equilíbrio e permitir que as indústrias se desenvolvam de forma equilibrada em todo o Mercosul". As declarações do presidente foram dadas à imprensa argentina ao desembarcar na cidade de Paraná, província de Entre Rios, alguns minutos antes de viajar para Puerto Iguazú. Em seguida, pode ser a vez dos têxteis Kirchner ameaçou ampliar a frente de batalha na guerra contra o Brasil ao admitir que poderá impor novas barreiras para os têxteis brasileiros. "Não descarto a possibilidade de que sejam ampliadas (as medidas) na esfera dos têxteis. Estamos avaliando isso", disse Kirchner, a bordo do avião Tango 1, a um grupo de jornalistas que o acompanham na viagem a Puerto Iguazú. As declarações do presidente argentino, faltando apenas alguns minutos para desembarcar em Puerto Iguazú, esquentaram ainda mais o clima prévio da 26ª Cúpula dos presidentes do Mercosul, que será aberta amanhã de manhã. Kirchner ressaltou, no entanto, que "a relação com Lula é mais que excelente, mas entre os países sempre há questões de interesses próprios que marcam as diferenças e temos que defender a indústria nacional". Os dois presidentes vão se encontrar no final desta tarde, em Puerto Iguazú, e teriam uma reunião bilateral para tratar o assunto.A ameaça de Kirchner surpreendeu porque, no início deste ano, os empresários do setor têxtil brasileiro assinaram um acordo de autolimitação de suas exportações para o mercado argentino. Porém, os empresários argentinos alegam que as cotas comprometidas estão sendo superadas e que, portanto, o acordo não está sendo cumprido. Ontem, o vice-chanceler, Martin Redrado, fez a mesma advertência sobre a adoção de novas medidas de restrições para as importações argentinas de produtos brasileiros, como autopeças, frangos e calçados. Este último também já tem um acordo de auto-limitação brasileira de cotas, assinado há cerca de um mês.

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