Kirchner descarta reunião com Vázquez sobre celulose

O presidente Néstor Kirchner não pretende aproveitar a reunião de Cúpula do Mercosul, a ser realizada na próxima semana, na província argentina de Córdoba, para manter um encontro privado com o colega uruguaio, Tabaré Vázquez, como forma de discutir o conflito sobre as fábricas de celulose. "Não há nada disso previsto", afirmou o chefe de Gabinete da Presidência, Alberto Fernández.Depois da decisão de Corte Internacional de Justiça (CIJ) de não atender o pedido argentino de suspender as obras de instalação das fábricas, a imprensa local chegou a especular que ambos presidentes poderiam retomar o diálogo em Córdoba. No entanto, o presidente Kirchner já enviou o recado de que não se deu por vencido em sua luta para suspender as obras de construção das fábricas Ence e Botnia, às margens do Rio Uruguai, na cidade uruguaia de Fray Bentos, fronteira com a Argentina. Ele disse que seu governo "vai defender firmemente os direitos da Argentina"."Quero deixar claro que com a resolução no tribunal de Haia, isso está só começando", avisou Kirchner, durante discurso de inauguração de uma rodovia no muncipio de Luján, há uns 60 quilômetros de Buenos Aires. O presidente disse que defenderá os direitos da Argentina com "toda a dignidade, responsabilidade e fortaleza".CaravanaDistante de Luján, na fronteiriça Gualeguaychú, os moradores e ambientalistas integrantes da Assembléia Ambiental da cidade realizavam, desde o início da tarde, uma caravana de automóveis na rodovia 14, também chamada de rodovia do Mercosul. O movimento para protestar contra a decisão do tribunal internacional é para mostrar que "o povo de Gualeguaychú não aceitará de braços cruzados que contaminem nossa região", segundo afirmou o ambientalista Gustavo Revollier à rádio 10, de Buenos Aires.Revollier também informou que a caravana conseguiu reunir 4 mil automóveis. Ele ameaçou com a retomada dos bloqueios das pontes internacionais que ligam a Argentina e o Uruguai, os quais provocaram um prejuízo de US$ 400 milhões, entre dezembro do ano passado e os três primeiros meses desse ano, conforme cálculos do governo uruguaio.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.