Kirchner e Morales se reúnem para acertar o preço do gás

Os presidentes Néstor Kirchner e Evo Morales deverão assinar, nesta quinta-feira, o novo acordo para a importação argentina de gás boliviano. Em uma reunião que será realizada em Buenos Aires, Morales e Kirchner vão bater o martelo sobre o valor e as condições do contrato renegociado após a nacionalização dos hidrocarbonetos da Bolívia.O valor atual que a Argentina paga pelo gás que compra da Bolívia é de US$ 3,20 o milhão de BTU (Unidade Térmica Britânica). Esse preço subiria para US$ 5,50 (como pede o governo boliviano) ou US$ 5 (limite máximo que Kirchner aceita pagar em dinheiro, e para completar o valor pedido por Morales, a Argentina lhe pagaria com tratores).Apenas 5% da demanda interna depende do gás boliviano, mas o acordo colocará um fim a dois anos de fortes incertezas sobre uma crise energética. Além disso, permitirá acelerar a construção do gasoduto do Nordeste para incrementar as importações até cobrir 25% do consumo local.A importação argentina de gás da Bolívia começou em abril de 2004, quando a crise energética atacou o país. Um acordo assinado entre Kirchner e o então presidente Carlos Mesa permitiu a importação de 5 milhões de metros cúbicos diários a US$ 1,60 o milhão de BTU. Logo, esse volume passou para 7,7 milhões de metros cúbicos diários por US$ 2.Em outubro do mesmo ano, sob a ameaça de aprofundamento da crise energética, Kirchner e Mesa assinaram um novo acordo para a exportação de outros 20 milhões de metros cúbicos por dia a partir de 2007. Com a idéia de avançar na integração energética, ambos governos deram impulso à construção do gasoduto do Nordeste, projeto que ficou na gaveta à espera da definição do governo boliviano sobre a lei de hidrocarbonetos.Enquanto isso, o acordo começou a cair com a renúncia de Carlos Mesa e, meses depois, a posterior nacionalização dos hidrocarbonetos, decretada por Evo Morales, a qual obrigou à uma nova negociação pelo produto. As regras do novo acordo já foram definidas pelos técnicos de ambos países, ficando somente o valor definitivo do produto para ser decidido por Morales e Kirchner.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.