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Kirchner fecha tanques da Petrobrás

Secretaria argentina alega problemas ambientais em instalações da estatal brasileira em pólo petroquímico do país

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

26 de setembro de 2007 | 00h00

O presidente argentino, Néstor Kirchner, ordenou na noite de segunda-feira o fechamento de um amplo setor das instalações que a Petrobrás tem no Dock Sud, o pólo petroquímico do município de Avellaneda, na Grande Buenos Aires. A medida da Secretaria de Ambiente levou à interdição de 10 caminhões-tanques, além de 1 dos 22 grandes tanques de combustível que a estatal brasileira tem na região, com capacidade de armazenar até 15 mil metros cúbicos.Também foram constatados problemas em tambores com combustível, dispostos de forma irregular, e em 300 bombas de gasolina, que estavam armazenadas no local. Segundo a secretaria, a interdição parcial e temporária foi ordenada por causa de vazamentos nos depósitos e riscos de poulição.A punição foi interpretada pelo mercado como uma retaliação de Kirchner contra a Petrobrás, por causa de informações extra-oficiais que nos últimos dias indicavam o interesse da estatal brasileira em comprar os ativos da Esso na Argentina.A manobra da Petrobrás para a eventual compra dos 90 postos de gasolina que a Esso tem no país - além de 500 outros de sua franquia - irritou Kirchner, que gostaria de ver esses ativos nas mãos da Enarsa, miniestatal energética, que ainda não saiu do papel.Na segunda-feira, extra-oficialmente, porta-vozes do Ministério do Planejamento afirmaram que o governo sentia um mal-estar pela eventual compra da Esso pela Petrobrás. Segundo eles, em vez de comprar esses ativos, a Petrobrás deveria fazer os investimentos no país que havia prometido.Kirchner espera há anos por uma oportunidade para ''''corporizar'''' a Enarsa. A forma mais fácil seria por meio da aquisição dos ativos de alguma empresa que deixe o país. Nesse caso, a Enarsa contaria com a eventual ajuda da estatal venezuelana PDVSA.Ontem à tarde, a Petrobrás em Buenos Aires emitiu um breve comunicado no qual confirma a ''''inabilitação'''' dos equipamentos que foram interditados. Também sustenta que a medida não trará problemas para o fornecimento de combustíveis na Argentina. E diz que a companhia ''''renova seu compromisso com a proteção do ambiente''''.Há três semanas, a Secretaria de Ambiente foi usada por Kirchner para pressionar a Shell. O presidente ordenou o fechamento da refinaria da empresa anglo-holandesa, medida que foi interpretada no mercado como um ataque direto ao presidente da Shell Argentina, Juan José Aranguren, um dos poucos empresários que não poupam críticas à política econômica do governo argentino.CAMPO MINADODesde que comprou a empresa de enrgaia Pérez Companc, a Petrobrás teve de trafegar por um campo minado na Argentina. Os primeiros problemas surgiram com o presidente provisório Eduardo Duhalde (2002-2003), que pôs alguns ''''poréns'''' ao desembarque da Petrobrás no país. Mas esse período de menos de um ano foi um mar de rosas se comparado com os tempos que a empresa enfrentou na seqüência, sob a administração de Kirchner.Em 2004, o presidente argentino disse ao chanceler brasileiro, Celso Amorim, que estava insatisfeito com as operações da Petrobrás no país, pois a empresa não estava fazendo os investimentos prometidos.Na ocasião, reclamou de aumentos nos preços de combustíveis ''''sem consultar o governo''''. O presidente argentino afirmou que a estatal brasileira tinha ''''nula liderança'''' na ampliação da rede de transporte de gás na Patagônia, região natal de Kirchner.No mesmo ano, ameaçou tirar a concessão dos gasodutos que a companhia administra na Argentina. Kirchner e seus assessores acusavam a Petrobrás de não ter começado as obras de ampliação do gasoduto San Martín, que liga a Província de Terra do Fogo, no extremo sul do país, com a área da Grande Buenos Aires. O caso foi resolvido pouco depois graças a um financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a obra.Em março, o ministro do Planejamento, Julio De Vido, criticou o presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, que havia se queixado do sistema de preços da Argentina.''''Não permitiremos que o presidente de uma empresa estrangeira venha opinar sobre as políticas soberanas que a Argentina aplica e venha condicionar investimentos'''', afirmou De Vido.Este ano, a Petrobrás também foi pressionada a se desfazer da Transener, empresa que veio junto no pacote da Pérez Companc. O fundo americano Eton Park havia quase fechado o negócio para a compra da Transener, mas Kirchner voltou a pressionar, impedindo o negócio. Park queria que a Transener fosse vendida à aliança feita entre a Electroingeniería, da Província de Córdoba, e a Enarsa.

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