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Kirchner pede à Justiça prisão de executivos da Shell

O governo do presidente Néstor Kirchner pediu à Justiça a prisão de executivos da empresa de combustíveis Shell. Segundo o jornal "La Nación", o governo acusa a empresa de ter desabastecido propositadamente os postos de gasolina. Segundo os assessores da presidência, a Shell violou a Lei do Abastecimento, norma ressuscitada por Kirchner há dois anos, que estipula duras penas às empresas de vários setores que não garantam o abastecimento de seus produtos. A Lei do Abastecimento - que até agora não havia sido aplicada em sua totalidade - prevê prisão de até quatro anos.A denúncia na Justiça foi realizada pelo polêmico Secretário de Comércio Interior de Kirchner, Guillermo Moreno, famoso por começar as reuniões com empresários colocando sua arma em cima da mesa de negociações. Moreno, considerado o "São Jorge" de Kirchner no combate ao "dragão" da inflação, estaria - segundo rumores no âmbito político - furioso com o presidente da Shell na Argentina, Juan José Aranguren, um dos escassos CEOs de multinacionais instaladas no país que criticam abertamente o governo Kirchner por sua política de congelamento de preços.O confronto começou em 2005, quando Kirchner convocou os argentinos - ao vivo, pela TV - a um "boicote nacional" contra a Shell. Nunca um presidente havia convocado um boicote contra uma empresa na Argentina. "Não compremos sua gasolina. Não compremos sequer uma lata de óleo!", esbravejou. Uma hora depois, centenas de manifestantes a favor do governo realizaram piquetes ao redor dos principais postos de gasolina da Shell na capital.MultaNa ocasião, Kirchner citou um relatório de 2002 da revista americana Multinational Monitor, e afirmou que a Shell é "uma das dez piores corporações do mundo". Kirchner acusou a empresa de ser "uma espertinha" que "não colabora com a recuperação econômica", além de estimular a alta da inflação.Há um mês e meio, o governo aplicou uma multa de US$ 1,6 milhão por desabastecimento de gasolina e diesel. Em dezembro passado, pelo mesmo motivo, havia aplicado uma multa de US$ 7,3 milhões.Desde que tomou posse, Kirchner também teve confrontos com a Petrobras e a Esso, embora de menor magnitude.

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE, Agencia Estado

20 de agosto de 2007 | 10h46

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