Kirchner pede boicote contra Shell; bolsa desaba

O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, pediu nesta quinta-feira aos argentinos que realizem um "boicote nacional" contra a empresa de combustíveis Shell. O estopim da ofensiva foi o aumento de 2,6% a 4,2% dos preços do óleo diesel e da gasolina adotado pela companhia holandesa no início da semana.O presidente acusou a Shell de não colaborar com o processo de recuperação da economia argentina. "Não há que comprar coisa alguma da Shell", disse. "Não devemos comprar sequer uma latinha de óleo". O pedido do presidente surge ao mesmo tempo que cresce o temor na população pelo crescimento da inflação. Nos dois primeiros meses do ano a inflação acumulada foi de 2,5%. A meta para ano é de 8%. "Não permitirei um novo crescimento da inflação. Vamos trabalhar com toda a responsabilidade, seriedade e firmeza", disse. Na quarta-feira, Kirchner havia criticado os produtores bovinos, já que o preço da carne - alimento considerado fundamental na mesa dos argentinos - subiu 20% desde o início do ano. A Bolsa de Buenos Aires está despencando mais de 5%, pressionado pela surpreendente alta da inflação e pela campanha de boicote contra a Shell, disse o analista Antonio Cejuela, da corretora Puente Hermanos. Ele classificou os ataques de Kirchner como "um grande passo para trás" e perturbador para o investidor.

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