Kirchner pede 'coragem' a legisladores na defesa de impostos

Ex-presidente afirma que 'não pode haver redistribuição da riqueza sem que os que têm mais percam'

Efe,

27 de junho de 2008 | 03h55

O ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner pediu nesta quinta-feira que os legisladores tenham coragem para defender o esquema tributário sobre as exportações de grãos. O sistema proposto gerou em março uma crise entre o Governo e o setor agrário. Kirchner disse para os deputados e senadores "não terem medo do conflito" e voltou a criticar os produtores, que bloquearam até a semana passada centenas de estradas do país, o que gerou o desabastecimento de produtos básicos nas principais cidades argentinas. "É fundamental que a classe média saiba o que está acontecendo: a oligarquia não é sua aliada. A classe média está ligada à trabalhadora e juntas formam a construção do campo nacional", afirmou. O marido da atual presidente da Argentina, Cristina Fernández, disse ainda que "não pode haver redistribuição da riqueza sem que os que têm mais percam" e, nesse sentido, sustentou que as "retenções" sobre as exportações de grãos são a "primeira grande batalha" para atingir esse objetivo. Organizações governistas e rurais acamparam esta semana na praça do Congresso para fazer ouvir suas posturas enquanto se resolve o conflito agrário, que explodiu em março pela decisão governamental de aumentar os impostos das exportações de soja, trigo, milho e girassol. Depois de mais de 100 dias de confronto, Cristina Fernández decidiu na semana passada deixar o tema nas mãos do Parlamento, onde legisladores e dirigentes agrários não conquistaram avanços significativos até agora. O conflito provocou perdas milionárias ao país e um enorme desgaste para a presidente, cujos índices de popularidade despencaram nos últimos meses.

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