Kirchner realizará ato simbólico anunciando fim do calote

O presidente Néstor Kirchner pretende realizar amanhã um simbólico ato com o qual encerrará o calote da dívida pública com os credores privados. Kirchner discursará no mesmo lugar - o plenário da Câmara de Deputados - onde há pouco mais de três anos, em dezembro de 2001, o presidente provisório Adolfo Rodríguez Saá, anunciou - sob fortes aplausos dos parlamentares - o default (calote) com os credores privados. Nesta terça-feira, na abertura do ano parlamentar, Kirchner fará o caminho contrário, e anunciará que o país encerra a etapa da suspensão de pagamentos e que se prepara para começar a pagar os credores.O presidente aproveitaria a ocasião para criticar os economistas e políticos que meses antes haviam profetizado o fracasso da troca de títulos. Dados extra-oficiais indicavam que o governo teria obtido uma adesão de 75% a 80% dos credores em todo o mundo para a troca de títulos velhos, em estado de calote, pelos novos, reestruturados.A reestruturação da dívida envolveu US$ 81,800 bilhões que serão reduzidos para uma faixa que oscilará entre US$ 38,5 bilhões e US$ 41 bilhões. Na sexta-feira, a Bolsa portenha, contagiada pelo clima de euforia que tomou conta da city financeira e do governo Kirchner, fechou em alta de 4,6%. A expectativa é que nesta segunda-feira a Bolsa também feche de forma positiva, embora com uma alta menor.Vida pós-caloteNo período que se inicia - o "day after" do fim do mega-calote da dívida pública - a vida dos argentinos não será um mar de rosas. O país precisará obter um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), retomar as negociações com as empresas privatizadas de serviços públicos, combater a inflação e impedir a queda do dólar, entre outras tarefas.No entanto, apesar das tarefas pendentes, os analistas e a mídia estão discretamente otimistas sobre esta nova etapa que inicia.Para o tradicional jornal "La Nación", a expectativa é que na etapa pós-calote ocorra uma "forte entrada de capitais provenientes do exterior". O jornal cita o chefe de estratégia do Banco Santander, Dario Lizzano, que afirma que "a Argentina é um dos mercados mais apetitosos para os investidores de ações por causa do resultado da troca de títulos e pelo acordo que com certeza conseguirá com o FMI nos próximos meses".O jornal Ámbito Financiero indicou nesta segunda-feira que o sucesso na troca da dívida "desbloqueia" o panorama econômico para 2005 e confirma que este será outro ano de crescimento. Segundo o principal jornal do país, o "Clarín", o sucesso da troca de dívida permitirá um forte respaldo a Kirchner para tomar uma posição mais dura com o FMI.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.