Kirchner teria desautorizado crítica contra Brasil

Num gesto para apaziguar os ânimos da polêmica discussão diplomática entre a Argentina e o Brasil, fontes da Casa Rosada deixaram "escapar" informações de que o chanceler Rafael Bielsa teria agido por iniciativa própria nos ataques contra o Brasil. O próprio jornal Clarín publicou uma análise, na qual afirmara que o presidente Néstor Kirchner desautorizou seu chanceler nas declarações públicas contra o principal sócio. A informação contradiz Bielsa, que declarara que a nova política externa da Argentina de endurecer sua posição com o Brasil, era uma decisão de governo.As novas versões para o conflito diplomático, aberto pelo chanceler contra o governo brasileiro, dizem que a primeira dama, Cristina Kirchner, e o um dos braços direitos do presidente, Alberto Fernández, chefe de Gabinete, se reuniram com o ministro José Dirceu e o assessor de Lula, Marco Aurélio Garcia, em Montevidéu, no último fim de semana, para "propor os temas de discussão de interesse da Argentina nas relações bilaterais". A opinião da Casa Rosada é que Kirchner prefere "a linha da cordialidade" nas negociações com o Brasil, como ocorreu na reunião entre Cristina, Garcia e Dirceu.Isso não significa que o presidente deixará de insistir com o Brasil a institucionalização de salvaguardas no Mercosul, e o preço que vizinho terá de pagar pela liderança hegemônica regional. Bielsa teria armado uma estratégia de imprensa para manter-se no cargo, já que Kirchner pretende substituí-lo para que o ministro seja candidato nas próximas eleições.

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