finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Kirchner torce por Lula

A confirmação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá que disputar o segundo turno das eleições presidenciais provocou um calafrio na nuca dos integrantes do governo argentino. O presidente Néstor Kirchner e seu gabinete, que até a semana passada estavam confiantes em relação a uma eventual vitória de Lula, agora preocupam-se por uma eventual vitória de Geraldo Alckmin. Eles temem que com a hipotética chegada ao poder do candidato do PSDB, a Argentina terá complicações para continuar desfrutando a política condescendente do atual presidente brasileiro com as exigências comerciais argentinas.O sub-secretário de Integração e Mercosul da Chancelaria argentina, Eduardo Sigal, declarou à imprensa que "não existe dúvida alguma da conveniência de que vença Lula. Kirchner já o disse, e esse mesmo clima é o que se percebe em todo o governo". O próprio presidente, disse em junho passado que a ligação comercial entre o Brasil e a Argentina se consolidaria em "um segundo mandato de Lula". Na ocasião, Kirchner disse que a "maioria dos argentinos esperam isso".Para Kirchner, um eventual sumiço de Lula do cenário do poder sul-americano eliminaria um aliado "progressista" no qual apoiar-se nas negociações internacionais.Os industriais argentinos, que após intenso "pataleo" (esperneio) ininterrupto desde 1999, alardeando uma suposta "invasão" de produtos brasileiros no mercado local, haviam conseguido - com a ajuda de Kirchner - arrancar do governo Lula uma série de concessões, que implicaram em acordos "voluntários" de auto-restrição de exportações das empresas brasileiras para a Argentina. Com Alckmin no poder, eles temem, esse período de condescendência acabaria.O vice-presidente da União Industrial Argentina (UIA), José Ignacio de Mendiguren, declarou que o presidente Lula "é um homem comprometido com a industrialização da Argentina e foi ele quem fez a intermediação para que os mecanismos (o Mecanismo de Adaptação Competitiva, o MAC, criado no começo deste ano para impedir "invasões" mútuas de produtos) fossem criados, mesmo apesar da oposição (dos industriais) de São Paulo. Acho que o Alckmin voltaria ao jogo de não ouvir os argentinos".Os mercados em Buenos Aires ficaram tranqüilos perante a possibilidade de segundo turno no Brasil, já que Lula e Alckmin são encarados como homens que não teriam reações inesperadas com o setor financeiro.A eleição brasileira foi a manchete do jornal Clarín, o principal do país: "Em dramática eleição, o presidente arranhava os 50% dos votos". O tradicional e sóbrio La Nación afirmou: "O suspense continuará até o fim do mês". O jornal também indicou que a redução da vantagem que Lula tinha sobre Alckmin semanas atrás mostra que entre os eleitores brasileiros "a tolerância não é infinita".

Agencia Estado,

02 de outubro de 2006 | 16h20

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.