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Klein propõe venda de ações da Viavarejo

Depois de tentar reassumir o controle da empresa do Pão de Açúcar, empresário quer vender um terço de sua participação no mercado

O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2013 | 02h06

Pão de Açúcar e Viavarejo confirmaram, ontem, por meio de um comunicado oficial, que a família Klein decidiu vender cerca de um terço de sua participação na empresa que controla as varejistas Casas Bahia e Ponto Frio. Segundo fato relevante, a oferta será de 53,7 milhões de ações de titularidade do grupo Casas Bahia, o que representa, aproximadamente, 16% do capital social da Viavarejo.

Hoje, a companhia tem apenas 0,59% de suas ações negociadas no mercado. O restante está nas mãos de Pão de Açúcar (52,4%) e da própria família Klein (47%). É parte dessa fatia que os fundadores da Casas Bahia querem vender por meio de uma oferta pública.

Como a companhia está sendo avaliada pelos bancos em cerca de R$ 12 bilhões, a operação renderia aos Klein algo em torno de R$ 2 bilhões.

O grupo Casas Bahia indicou o Banco Bradesco BBI como coordenador da oferta. A Viavarejo tem agora 30 dias para analisar a proposta e indicar um segundo banco coordenador.

A decisão de se desfazer de parte das ações da Viavarejo indica uma mudança inesperada na estratégia da família, que vinha tentando comprar a parte do Pão de Açúcar no negócio e recuperar o controle da empresa. No ano passado, o empresário Michael Klein chegou a propor a Jean-Charles Naouri, presidente do Casino, que aumentasse sua participação de 47% para 70 ou 75%. O Casino controla no Brasil o Grupo Pão de Açúcar, que por sua vez é sócio dos Klein na Viavarejo. Essa não foi a primeira investida da família. Em julho do ano passado, eles já tinham falado em comprar mais de 5% da empresa - o que aumentaria sua fatia para 52% e lhes daria o controle. O Casino fez jogo duro desde o início.

Por isso, segundo fontes próximos aos Klein, a oferta seria uma maneira de pressionar os franceses a retomar as negociações e concretizar a venda. No mercado, a proposta também é interpretada como um primeiro passo para a saída definitiva da família do negócio, que sempre foi enrolado.

A sociedade entre a família Klein e o Pão de Açúcar, antes controlado por Abilio Diniz, tem dado problemas desde o começo. Fechado em 2009, o contrato da fusão foi modificado no ano seguinte por insistência dos fundadores da Casas Bahia, que estavam insatisfeitos e ameaçaram deixar a sociedade.

Segundo a assessoria de imprensa da família Klein, não há segundas intenções com a oferta de ações anunciadas ontem. O direito de se desfazer da participação está previsto no acordo de acionistas firmado em 2010.

Análise. Para analistas de mercado, a decisão da família Klein de vender cerca de um terço da participação de 47% na Viavarejo, pode ser um catalisador positivo para as ações PN da controladora. "A oferta pode indicar um primeiro passo para uma saída total dos Klein do negócio, que achamos que faz sentido", disse o analista do Espírito Santo Equity Research, Richard Cathcart, em relatório.

Segundo ele, , a oferta pode começar a remover incertezas em torno da Viavarejo, como a que diz respeito a saída dos Klein. / VANESSA STECANELLA, CÁTIA LUZ E NAIANA OSCAR

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