Kodak reaparece com linha de smartphones

Ex-gigante da fotografia fabricará aparelhos emparceria com empresa britânica Bullitt, com lançamento na CES

CAMILO ROCHA, O Estado de S.Paulo

28 Dezembro 2014 | 02h03

Um nome tradicional da fotografia anunciou sua reinvenção como marca de dispositivos móveis. A Kodak informou que lançará uma linha de smartphones com sistema operacional Android na Consumer Electronic Show (CES), maior feira de eletrônicos do mundo, realizada entre 6 e 9 de janeiro em Las Vegas.

Os telefones da Kodak serão fabricados pela Bullitt, empresa britânica especializada na manufatura de aparelhos celulares para outras marcas. Seu cliente mais conhecido é a fabricante de máquinas Caterpillar.

Segundo anúncio sobre o lançamento, a linha de aparelhos tem como alvo ("mas não apenas", como ressalva o texto) "consumidores que querem uma experiência de ponta mas não estão sempre à vontade usando aparelhos móveis cada vez mais complicados".

De acordo com a empresa, os aparelhos trarão de fábrica diversos recursos de captura, gerenciamento e compartilhamento de imagens para oferecer uma "experiência rica".

Detalhes de configuração, como poder de processamento, tamanho de tela ou número de megapixels da câmera, não foram divulgados.

Ainda segundo a empresa, outros produtos serão anunciados em breve, incluindo um smartphone com acesso a redes 4G, um tablet e uma câmera conectada.

Desde 2013, quando saiu da concordata graças a uma reestruturação radical e se relançou como empresa de impressão comercial, a Kodak incluiu o licenciamento de sua marca como fonte de receita, como parece ter feito agora com a Bullitt.

Ocaso. A Kodak, que fabricou câmeras fotográficas desde o fim do século 19, foi duramente atingida pela popularização dos smartphones e suas câmeras embutidas. No começo de 2012, a empresa pediu concordata e nos meses seguintes abandonou completamente o ramo da fotografia, cessando a produção não só de câmeras digitais, mas de papel fotográfico, filme para câmera e porta-retratos digitais. No primeiro semestre daquele ano, o prejuízo da empresa totalizou US$ 665 milhões. Para estancar a sangria financeira, a empresa colocou à venda mais de 1.100 patentes relacionadas à imagem digital.

A nova empreitada procura se apoiar na tradição para valorizar os próximos lançamentos. "Resgatamos este legado e o usamos para inspirar uma linha de aparelhos com belo design e que permitem aos usuários tirar grandes fotos, editar, compartilhar, guardar e imprimir em um instante", explicou a assessoria da Bullitt.

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