Köhler recomenda que Argentina siga exemplo de Lula

O diretor gerente do FMI, Horst Köhler, voltou a elogiar a gestão do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, em conversa ontem com o ministro argentino da Economia, Roberto Lavagna, e recomendou que a Argentina siga seu exemplo de cumprimento estrito das metas fiscais. Segundo fontes do Ministério de Economia, essa recomendação foi entendida como um sinal de "apertar o cinturão fiscal para gerar condições suficientes de pagamento da dívida". Diplomático, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, mostrou a seu interlocutor que um acordo de longo prazo com o FMI seria um sinal externo mais positivo para o país, dando maior previsibilidade e estabilidade à Argentina e aos seus investidores. Porém, o ministro explicou que, até chegar a um acordo maior, será necessária uma transição devido ao momento político, já que as províncias realizarão eleições e o Congresso será renovado até dezembro deste ano. Lavagna fincou pé em que, com este cenário, torna-se impossível o avanço de algumas reformas, como a fiscal, por exemplo. A preocupação particular do diretor gerente do FMI nesta área diz respeito às contas das províncias, relacionadas com a chamada lei de co-participação de impostos, que distribui a arrecadação de tributos entre o governo federal e as províncias. Segundo as fontes, Köhler compreendeu o argumento do Ministério de Economia de que os novos governadores e parlamentares precisam assumir para dar início ao debate sobre o assunto. Sobre a renegociação da dívida, o chefe da equipe econômica argentina reafirmou a intenção do governo de lançar as propostas de negociações no dia 23 de setembro, durante a assembléia anual do FMI. Köhler insistiu em que se avance neste assunto, bem como na aprovação da reforma bancária, a qual inclui as compensações aos bancos prejudicados com a pesificação e as ações judiciais a respeito.

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