Kroton tem lucro líquido de R$ 390,6 milhões no quarto trimestre de 2017, queda de 55,1%

Kroton tem lucro líquido de R$ 390,6 milhões no quarto trimestre de 2017, queda de 55,1%

Companhia também afirmou que está em processo de fechamento da compra de duas escolas de educação básica

Dayanne Sousa, O Estado de S.Paulo

16 Março 2018 | 08h24

A Kroton Educacional reportou lucro líquido de R$ 390,6 milhões no quarto trimestre de 2017, recuo de 55,1% na comparação com igual período do ano anterior. O resultado de 2016, no entanto, havia sido impactado por um reconhecimento de receitas do Fies que, em razão de atrasos, deixaram de ser registradas no terceiro trimestre daquele ano.

A companhia divulgou um lucro ajustado na visão pro forma, que exclui esse efeito da base de 2016. O resultado por esse critério no quarto trimestre de 2017 é um lucro de R$ 488,6 milhões, aumento de 0,2% na comparação com igual período do ano anterior

No ano, o lucro da Kroton foi de R$ 1,882 bilhão, crescimento de 0,9% ante 2016. O resultado ajustado do ano na cisão pro forma é um lucro de R$ 2,240 bilhões, expansão de 11,6%.

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O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da Kroton atingiu R$ 534,1 milhões nos meses de outubro a dezembro, crescimento de 1% na comparação com o mesmo período de 2016. No ano, o Ebitda acumulado é R$ 2,450 bilhões, alta de 6,5%.

A receita líquida da Kroton nos três meses finais do ano é de R$ 1,349 bilhão, recuo de 0,9% na comparação anual. Em doze meses, a receita acumulada é de R$ 5,557 bilhões, expansão de 6%. 

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Evasão. A Kroton espera uma melhora nos níveis de evasão em 2018 após o porcentual de estudantes que abandonam as salas de aula ter atingido um pico no quarto trimestre de 2017. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o diretor de Relações com Investidores da Kroton, Carlos Lazar, afirmou que a empresa acredita numa tendência mais positiva para este ano em razão de investimentos em retenção dos estudantes, mas ponderou que o ambiente macroeconômico ainda não contribui favoravelmente.

"A tendência de evasão para este ano deve ser um pouco melhor. Ela é mais positiva do que negativa porque temos tomado grandes ações para mitigar essas pressões. Quase triplicamos o número de funcionários nos núcleos de retenção nas unidades", disse o executivo.

A Kroton reportou aumento na evasão dos estudantes no quarto trimestre de 2017 nas modalidades de ensino presencial e a distância. No presencial, o índice de evasão chegou a 4,9% dos alunos, porcentual que se compara a uma taxa de 3,1% no mesmo período de 2016. Já no EAD, a evasão foi maior: chegou a 7,2% no trimestre final de 2017 ante um porcentual de 5,1% registrado um ano antes.

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A companhia avaliou em comentário sobre a divulgação de resultados que a maior evasão no ensino presencial é uma consequência do encolhimento do programa de financiamento estudantil Fies. A empresa destacou que os alunos com Fies tradicionalmente apresentavam menor evasão.

Questionado, Lazar concorda que pela frente a continuidade da baixa oferta de vagas no Fies representa um elemento de pressão para a evasão. Ele avaliou, no entanto, que esse efeito poderia ser compensado caso uma melhora no ambiente macroeconômico se concretizasse.

"Hoje temos uma tempestade perfeita em termos de um cenário macroeconômico ainda ruim, com desemprego maior na comparação anual", disse. Se esse cenário de emprego fosse melhor, avaliou, o resultado de evasão poderia ser mais positivo mesmo com o impacto da redução de alunos Fies.

A avaliação, no entanto, é de que o setor educacional pode demorar mais a responder à recuperação no cenário macroeconômico. O impacto da crise tardou a chegar no setor de ensino na medida em que outros gastos discricionários foram sendo cortados antes que os consumidores decidissem por deixar de ter despesas com educação. Da mesma forma, no entanto, o diretor da Kroton acredita que a retomada agora é mais lenta porque a decisão de voltar a fazer gastos com educação demora mais a ser tomada do que a decisão de gastar com bens de consumo.

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"Não temos nenhuma evidência muito clara de que devemos ter um ambiente macro muito melhor, não na velocidade que gostaríamos", afirmou Lazar. "Ainda que haja uma retomada mais agressiva do emprego, o setor tende a demorar um pouco mais para sair da crise", disse.

Aquisições. A Kroton diz estar em conversas com diversas empresas do setor de ensino básico para movimento de fusões e aquisições. A companhia espera anunciar nos próximos quatro meses as suas primeiras aquisições, conforme afirmou em teleconferência com analistas e investidores o presidente da companhia, Rodrigo Galindo. A companhia disse que está em fase final de negociação com duas escolas.

Segundo Galindo, a empresa tem mantido conversas com diversos players. Ele afirmou que há hoje 26 potenciais negócios no segmento de educação básica sendo aventados. De acordo com o executivo, além das aquisições esperadas para o primeiro semestre, um terceiro negócio pode ser anunciado na segunda metade do ano.

Se concretizadas, as aquisições vão marcar o primeiro movimento do projeto de expansão da companhia nesse setor. 

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"Não vamos entrar nesse segmento para brincar. Estamos entrando de forma séria e queremos ser representativos em termos de market share", comentou Carlos Lazar.

A companhia tem seguido ainda uma estratégia de comprar pequenas unidades de ensino superior presencial para acelerar o crescimento sobretudo em regiões onde a atuação da Kroton é menor, caso do Nordeste. A empresa mencionou que fez nos últimos meses outras aquisições de unidades de ensino superior presencial. Foram três unidades, disse a Kroton, sendo uma em Teresina e duas em Fortaleza. Segundo Lazar, as aquisições são de pequeno porte e uma dessas unidades sequer tem alunos matriculados ainda, embora tenha licença para operar e esteja credenciada junto ao Ministério da Educação, o que já acelera os passos para ofertar cursos. 

Exterior. A Kroton ainda estuda a possibilidade de expandir seus negócios para fora do Brasil e entende que o caminho para iniciar uma operação internacional passa por uma aquisição, conforme afirmou o presidente da companhia, Rodrigo Galindo. Em teleconferência com analistas e investidores, ele declarou, no entanto, que a estratégia ainda não foi definida.

"Não entraríamos em nenhum projeto de internacionalização de forma orgânica porque o risco é muito mais alto", disse. "Certamente, a entrada seria via aquisição, mas não temos definição", concluiu.

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