Krueger diz que não é preciso temer reestruturação

A vice-diretora-gerente do FMI, Anne Krueger, afirmou que, com a reestruturação das dívidas soberanas, os países emergentes, de forma geral, nada têm a perder e têm tudo a ganhar. "Não vejo por que a reestruturação da dívida dos emergentes impactaria nos fluxos de capital para essas mesmas nações. Os países que têm bons fundamentos não precisam temer a reestruturação", disse. As afirmações foram feitas por Krueger em sua única apresentação pública no Brasil. Ela proferiu a palestra "A necessidade de novos mecanismos para a reestruturação de dívidas soberanas", como parte do Encontro Latino-Americano da Sociedade de Econometria. Segundo ela, a crise financeira que atingiu os países emergentes em 94 e 95 e levou à desvalorização de várias moedas mudou a arquitetura do sistema financeiro internacional. Mas admitiu que muito ainda precisa ser feito. Ela reconheceu que o próprio Fundo precisa fazer análises mais abrangentes e pediu aos países membros a adoção da governança corporativa e de mais transparência do setor privado.Para ela, não há alternativa aos países que não seja a redução da relação do déficit público sobre o PIB. "Os países emergentes têm de adotar políticas de austeridade", afirmou, ressaltando que a reestruturação das dívidas deve necessariamente garantir direitos aos credores. Krueger disse que é hora de se avaliar as ferramentas disponíveis para envolver o setor privado na solução das crises, ou seja, mecanismos que possam permitir à indústria continuar a produzir. A palestra de Anne Krueger, realizada na sede da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, foi esvaziada porque o sistema de áudio do auditório da FGV não funcionou e ela foi obrigada a fazer sua apresentação sem o auxílio de microfones. Com isso, sua voz alcançou apenas as primeiras filas do auditório. Logo no início da palestra, boa parte da platéia se retirou porque não conseguia ouvir as palavras da número dois do FMI.

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