Krueger quis saber o que pode ser feito até as eleições

A vice-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anne Krueger, começou a conversa com o economista Sérgio Werlang avisando: ?Estou aqui para ouvir?. E começou a perguntar. Primeiro sobre a situação atual da economia brasileira, depois o que poderia ser feito até as eleições para melhorar o cenário econômico no Brasil.Nos 30 minutos de conversa, na sede do Banco Central, no Rio, Krueger ouviu atentamente, nada comentou, nem através de gestos deixou transparecer sua opinião sobre os diagnósticos que ouviu do interlocutor. O ex-diretor do Banco Central, hoje executivo do Banco Itaú, revelou ao Estado as respostas que deu a Krueger: ?Disse que, sem dúvida, o ambiente externo não é propício e, de certa forma, tem influência sobre nossa economia, mas o problema básico do Brasil continua sendo nosso mesmo. É claro que a dívida brasileira aumentou porque os spreads para o Brasil elevaram-se. Mas a solução para tudo isto está entre nós, brasileiros.?E Werlang deu sua opinião: ?O nosso problema é fiscal, e a solução está em elevarmos o superávit primário acima dos 3,75% do PIB, que constam do acordo com o Fundo?.Segundo Werlang, Krueger não manifestou interesse específico nos candidatos à presidência, nem sobre as chances de vitória de cada um deles. Perguntou apenas o que poderia ser feito até as eleições. ?Dei a minha opinião. O melhor seria, desde já, preparar os termos de um acordo com o FMI para negociar com o candidato vitorioso. É muito difícil que todos os candidatos, em conjunto, assinem um acordo neste momento, antes do resultado eleitoral. Mas é muito provável que interesse ao novo presidente acertar as regras de um entendimento tão logo seja eleito, antes de tomar posse?. Krueger ouviu e calou.

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