Krugman: economia dos EUA deve crescer 2% em 2010

O Prêmio Nobel de Economia em 2008 e professor da Princeton University, Paul Krugman, acredita que os Estados Unidos devem registrar uma modesta expansão em 2010 com alto nível de desemprego. "Acredito que o crescimento deve ser próximo a 2%. Contudo, os estímulos fiscais realizados pelo governo foram insuficientes e devem perder fôlego no segundo semestre do próximo ano. Dessa forma, acredito que o desemprego deve atingir 10% em 2010, na melhor das hipóteses. Não acho que é muito difícil essa taxa ser ainda maior e chegar a 11,5% ou 12%", comentou em entrevista coletiva, na capital paulista.

RICARDO LEOPOLDO, Agencia Estado

02 de dezembro de 2009 | 18h14

Sobre o cenário para a política monetária administrada pelo banco central norte-americano (FED, Federal Reserve) no ano que vem, Krugman foi taxativo: "Devido às condições da economia em relação ao baixo crescimento e elevado desemprego, é possível que a taxa de juros fique perto de zero nos próximos dois anos", afirmou. Na avaliação do acadêmico, o presidente dos EUA, Barack Obama, precisaria injetar um montante entre US$ 200 bilhões e US$ 300 bilhões para reanimar a economia norte-americana.

"Seria necessário que o estímulo total atingisse uma marca próxima a um trilhão de dólares, mas o que foi adotado atingiu o teto de US$ 700 bilhões", comentou. "Esses recursos adicionais deveriam ser aplicados basicamente na criação de empregos por algumas vias, entre elas a geração de vagas no setor público, redução de impostos e ajuda a governos regionais para contratações." Segundo Krugman, a economia mundial está se recuperando, em boa medida devido à melhoria do nível de atividade dos Estados Unidos. "A parte apocalíptica já passou, mas a crise ainda não acabou."

Brasil

Sobre a economia nacional, Krugman afirmou que o atual nível de câmbio do Brasil "é um problema real e, se for mantido no atual patamar por um prazo duradouro, pode prejudicar a economia nacional, especialmente gerando efeitos negativos sobre as exportações e o agravamento do déficit das contas correntes". "O patamar atual do câmbio é semelhante ao registrado no início de 2008, quando os preços das commodities estavam muito elevados. Isso não é saudável", ressaltou.

Embora Krugman não tenha defendido terminantemente que o governo adote medidas específicas para coibir a valorização do real ante o dólar, o intelectual afirmou que dois caminhos poderão ajudar a coibir a apreciação excessiva do câmbio. Um deles é a adoção de impostos sobre capitais que ingressam no País, o que o governo passou a fazer recentemente com a implementação da alíquota de 2% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre o ingresso de investimentos estrangeiros em ações e títulos do governo brasileiro.

A outra alternativa, segundo ele, é a compra de reservas cambiais, movimento que deve ser mantido pelo Banco Central (BC) no curto prazo, como manifestou seu presidente, Henrique Meirelles. Em agosto de 2008, a poupança externa atingiu US$ 205 bilhões. Atualmente, o montante está próximo a US$ 237 bilhões.

Krugman ressaltou que o atual fluxo de capitais para o País é "uma bolha", mas não manifestou se ela vai estourar nos próximos meses. Na sua avaliação, o ingresso maciço de recursos no País é fruto de uma avaliação exagerada de investidores internacionais, pois, segundo o acadêmico, "o Brasil não será superpotência amanhã, mas o mercado já precifica isso".

O acadêmico disse ainda que o otimismo excessivo dos investidores em relação ao futuro do Brasil não é tão positivo no curto prazo, pois tende a estimular o ingresso de investimentos e valorizar ainda mais o câmbio. Ele destacou, em tom de brincadeira, que talvez as autoridades do governo não devessem dizer que a situação do País é bastante favorável, a fim de reduzir a avaliação muito favorável dos investidores sobre a economia brasileira. Krugman afirmou que uma parte de sua poupança está aplicada em títulos do Brasil, mas não soube discriminar quais, pois, segundo ele, fazem parte de um fundo de investimentos.

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