Laboratório farmacêutico espanhol chega ao Brasil

"Estamos apostando alto". A frase do executivo de Desenvolvimento Corporativo do Laboratórios Cinfa, Javier Gallego, resume a expectativa da indústria farmacêutica espanhola no Brasil. O laboratório, controlado pelo grupo Infarco, de Navarra, vai investir entre US$ 15 milhões e US$ 20 milhões na instalação de uma unidade no País que servirá de plataforma de exportações para toda a América Latina. Mas o principal alvo é mesmo o Brasil. "Os genéricos entraram na Espanha há quatro anos e representam 5% das vendas em valor. No Brasil, em apenas dois anos eles perfazem entre 5% e 10%", justifica o executivo da Cinfa. Para construir sua unidade fabril de 25 mil m², o laboratório procura uma área de 50 mil metros quadrados - indicando procura de espaço suficiente para expansões futuras. "Temos propostas de vários Estados e o de São Paulo é um deles", conta Gallego, sem revelar qualquer detalhe sobre as negociações. O importante para a indústria, que criará 150 empregos diretos, é acesso à mão-de-obra especializada e boa infra-estrutura de comunicação e logística. A decisão sobre o local da instalação será tomada até dezembro e a fábrica deverá entrar em operação entre seis e nove meses depois. O retorno do investimento com recursos próprios é esperado para oito a dez anos. "Nossa estimativa realista para o primeiro ano de atuação aponta vendas líquidas de R$ 15,229 milhões", prevê Gallego. Para 2004, o resultado deverá saltar para R$ 24,191 milhões. Em 2006, já com o portfólio estimado em mais de 50 itens e o nome consolidado no competitivo mercado de genéricos brasileiro, a Cinfa quer alcançar receita de R$ 37 milhões. Após a consolidação dos genéricos no Brasil, o Cinfa deverá trazer outros de seus 350 produtos, fabricados pelas divisões de medicamentos de venda livre (OTCs, over the counter), e de ortopédicos (cintas e faixas elásticas). No momento, a empresa revê o portfólio de OTCs, para reduzi-lo e acertar o foco de atuação. A escolha do País para a implantação da segunda fábrica mundial deve-se também às condições de espaço físico. A unidade espanhola, em Pamplona, tem apenas 12 mil m² de área construída em área de 18 mil m². "A Espanha é do tamanho do Estado de São Paulo. Não dá para crescer", considera Gallego. Após a conquista do Brasil, o laboratório rumará para a Ásia ou a África, onde instalará a terceira fábrica mundial. Leia mais sobre o setor de Química no AE Setorial, o serviço da Agência Estado voltado para o segmento empresarial.

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