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Laboratórios se anteciparam aos descontos

Na semana passada, o Senado aprovou a Medida Provisória 41/2002 para aumentar a relação dos produtos industrializados ou importados que poderão ser beneficiados pelo sistema de crédito presumido - ressarcimento de PIS e Cofins incidentes. "Concedendo o crédito presumido aos fabricantes de medicamentos para tratamentos crônicos, a expectativa do governo é de que eles reduzam seus preços aos consumidores",assinalou o Ministério da Saúde. Esse tipo de medida vem tarde, porque os laboratórios pedem, há anos, que o governo mantenha um sistema de redução de preços aos consumidores de baixa renda. Afinal, os genéricos substituíram medicamentos de marca, ao contrário do que se previa, que era o maior acesso da população carente às drogas. Alguns laboratórios se anteciparam, e lançaram seus próprios programas de descontos para medicamentos voltados a tratamentos crônicos. A medida é também uma forma de não perder receita diante da ameaça dos medicamentos genéricos, 40% mais baratos do que os de marca cujas patentes já estão vencidas. Os laboratórios Glaxo SmithKline (GSK), Abbott, Merk Sharp&Dohme (MSD) e Biosintética são alguns dos que desenvolvem esse tipo de programa no Brasil. O programa da GSK A GSK implantou o Programa Aliança Médica (PAM) há dois anos, e hoje conta com cinco mil pacientes. "Com a ampliação das adesões prevemos um salto para 40% das vendas totais no País, dentro de dois a três anos", afirma o gerente de relacionamento da GKS no Brasil, André Reis. O PAM inclui quatro medicamentos, dois para tratamento de asma (Seretide e Serevent), um para diabetes (Avandia) e outro antitabagismo (Zyban), para dependentes químicos que desejam livrar-se do vício. Os medicamentos do PAM são vendidos com descontos de até 40% para os integrantes do Programa e já representam 30% do faturamento do GSK no Brasil. Programas semelhantes são desenvolvidos pela GKS em todo o mundo, desde 1996, e respondem por 40% das venda s globais, que em 2001 atingiram US$ 6 bilhões. A inscrição nesse tipo de programa é feita pelo próprio médico, conforme as condições do paciente - desânimo ante a necessidade de tratamento ou falta de recursos para levá-lo adiante. Além do desconto, como forma de incentivo a GSK foca a ação na educação dos pacientes, para que tenham visão de longo prazo. Uma doença cujos males são pequenos hoje podem levar à morte no futuro, como é o caso da diabetes tipo dois, exemplifica André Reis. "A asma mata três mil pessoas em média, por ano, no Brasil, mais do que a Aids, causa mortis anual de cerca de dois mil pacientes", compara o executivo. As drogas podem ser adquiridas em redes de farmácias. Nas regiões muito remotas, o próprio laboratório cuida do envio, mediante pagamento por depósito bancário. A Abbott tem o programa Clube dos Pacientes, em que a primeira caixa de remédio é gratuita. Já a MSD promove reembolso a pacientes com altas taxas de colesterol que tenham se medicamento com drogas do laboratório, mas não se adequaram a seu uso. Por sua vez o Biosintética mantém campanha de adesão, que consiste na doação de uma caixa de medicamentos a cada quatro consumidas. Desde o dia 12, os laboratórios estão autorizados pela Câmara de Medicamentos do Ministério da Saúde a aumentar os preços dos medicamentos em até 9,92%. O reajuste se dá por conta da variação cambial anual que pode chegar a 70%, sobre o custo dos insumos importados.Essas matérias-primas representam cerca de 30% do custo de produção dos laboratórios - daí a justificativa do aumento antes da data anual prevista, que seria janeiro de 2003. Ao passo que a resolução de crédito presumido, como está no próprio nome, é "provisória". Portanto, para vigorar permanentemente, terá que ser votada a partir do próximo ano, no novo governo.

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