Lacker diz que estímulo do Fed não ajudará economia dos EUA

O último estímulo monetário lançado pelo Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) arrisca elevar a inflação e não terá muito eficácia em impulsionar a fraca economia norte-americana, disse nesta sexta-feira a autoridade do banco Jeffrey Lacker, que discordou da decisão do Fed.

REUTERS

22 de junho de 2012 | 10h01

Na quarta-feira, o Fed anunciou a extensão de esforços para pressionar para baixo custos de empréstimo de longo prazo, mesmo cortando previsões para o crescimento econômico do país.

Mas Lacker, defensor de medidas de contenção de inflação que se opôs a todas as decisões do banco central desde que recebeu o poder de voto neste ano, argumentou que a nova política não irá funcionar.

"Eu não acredito que mais estímulo monetário irá fazer diferença substancial para o crescimento econômico e para o emprego sem aumentar a inflação além do que é desejado", disse Lacker em um comunicado.

Especificamente, Lacker apontou para a meta de inflação recém-estabelecida pelo Fed como um obstáculo para mais apoio monetário, apesar dos sinais de que o mercado de trabalho está piorando.

"Embora o cenário para crescimento econômico tenha claramente se enfraquecido nas últimas semanas, os impedimentos para um crescimento mais forte aparentam estar além da capacidade de política monetária de compensar", disse Lacker.

"A inflação está atualmente perto de 2 por cento, o que o Comitê identificou como sua meta de inflação. Um aumento significativo na inflação poderia ameaçar a credibilidade do Fed e tornar mais difícil atingir as metas de longo prazo do Comitê, incluindo emprego total."

No entanto, Lacker acrescentou que o Fed pode considerar ações políticas adicionais se a economia experimentar um declínio "substancial e persistente" da inflação.

Muitos analistas viram a extensão da Operação Twist de 267 bilhões de dólares, pela qual o Fed vende Treasuries (títulos) de curto prazo e compra aqueles de prazo mais longo para diminuir ainda mais as taxas de longo prazo, como um precursor de outros estímulos.

(Reportagem de Pedro Nicolaci da Costa)

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