Laep acusa GP de usar conselheiros 'laranja'

Segundo a empresa, esses laranjas atuavam no conselho de administração e não tinham conhecimento sobre a LBR

Josette Goulart, O Estado de S. Paulo

05 Setembro 2016 | 05h00

Os contornos da briga societária entre Laep e GP começaram a ser desenhados nas reuniões do conselho de administração da Monticiano. A Laep diz que o GP teria usado de “laranjas” como seus representantes no conselho. Segundo a empresa, esses laranjas não tinham conhecimento sobre a LBR e, quando foram confrontados em uma das reuniões, não souberam responder sequer a questões gerais sobre a companhia.

Procuradas, GP e Laep não quiserem comentar, pois a disputa é sigilosa. No entanto, as acusações pelo uso de laranjas ficaram públicas, até um mês atrás, em função de um processo judicial movido pela Laep. Nele, a Laep pede que os supostos laranjas sejam ouvidos pela Justiça como testemunhas para uma ação judicial futura, o que foi negado pelo juiz. A estratégia agora será levar o pedido de ouvir as testemunhas no processo de arbitragem. 

O uso de laranjas supostamente ajudaria a blindar o patrimônio do GP, pois colocaria esses administradores como responsáveis pela gestão. Entre os acusados de serem laranjas está o advogado Renato Pinheiro, dono de uma firma de advocacia que leva seu nome. Ele não quis dar entrevista sobre a LBR, mas falou sobre sua atividade. Ao ser perguntado sobre o que fazia um conselheiro, disse: “participa de reuniões”. 

A especialidade do escritório de Pinheiro é vender o que é conhecido no mercado como “empresas de gaveta”. Uma companhia recorre a esse tipo de serviço quando tem pressa em criar um novo CNPJ e, para isso, compra uma das centenas de empresas já registradas em todos os órgãos dos governos pelo escritório de Pinheiro. Muitas das maiores empresas do País têm no seu quadro societário original os nomes de Cleber Faria Fernandes e Sueli Ferreti, funcionários do escritório e sócios de dezenas de companhias. / J.G.

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