Lafer responde a O?Neill com indignação

O ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, respondeu de forma contundente as declarações do secretário do Tesouro norte-americano, Paul O´Neill, que levantou suspeitas sobre o desvio de recursos de organismos internacionais destinados aos países do Cone Sul. Lafer afirmou que esse tipo de insinuação não corresponde aos esforços de seriedade, de lisura e de transparência do governo brasileiro. "Tenho absoluta convicção de que o governo brasileiro cuida das contas públicas e dos recursos que recebe do FMI e de outros organismos internacionais com absoluto zelo, com absoluto cuidado e com uma absoluta preocupação de gestão macroeconômica", afirmou Lafer."Qualquer outra insinuação não corresponde à realidade e ao esforço de seriedade, de lisura e de transparência que caracteriza o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e a equipe econômica no trato desse tema", acrescentou. Ontem, em uma entrevista a uma TV americana, O´Neill afirmou que apoiaria uma ajuda financeira ao Brasil, à Argentina e ao Uruguai se esses países adotassem programas confiáveis. Segundo O´Neill, esses três países precisam implantar políticas que garantam que assim que o dinheiro auxiliar for concedido trará benefícios e não será simplesmente transferido do país para contas bancárias na Suíça.Questionado sobre a possibilidade de entrar em contato com as autoridades norte-americanas para manifestar a indignação do governo brasileiro com essas declarações, Lafer preferiu não responder. Seu porta-voz, Pedro Luiz Rodrigues, limitou-se a afirmar que o chanceler dará alguns telefonemas nesta tarde.AlcaLafer afirmou disse acreditar que as negociações para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) se tornarão "ainda mais difíceis " com a aprovação definitiva, pelo Congresso americano, do projeto de Trade Promotion Authority (TPA). Segundo ele, apenas se as negociações chegarem a um equilíbrio apropriado o Brasil poderá fechar o acordo em 2005. Para o ministro, a aprovação de um projeto de TPA pela Câmara dos Deputados dos EUA, no último sábado, pode ser considerado positivo porque permite à administração de George W. Bush "levar adiante os seus processos de integração".Lafer afirmou, no entanto, que da forma como foi estabelecido, o projeto permite a realização de consultas com o Legislativo sobre a abertura comercial para produtos de interesse do Brasil. "As negociações já eram difíceis. Se o projeto for aprovado, como deve ser, as negociações serão ainda mais difíceis e ainda mais complexas", afirmou. Segundo ele, essa situação e a tendência protecionista americana que afeta interesses brasileiros devem ser avaliadas pelo governo brasileiro em um contexto mais amplo.Segundo Lafer, as negociações da nova rodada da Organização Mundial do Comércio (OMC) enfrenta igualmente dificuldades. "As negociações do Mercosul com a União Européia, segundo o ministro, seguem o ritmo compatível com as dificuldades dos europeus. Nesse contexto, o Brasil tenderá a explorar "janelas de oportunidades" como fez ao fechar acordos comerciais com o Chile e México. O próximo passo, segundo ele, será o acordo de livre comércio entre a comunidade andina de países e o Mercosul.

Agencia Estado,

29 de julho de 2002 | 14h54

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