REUTERS/Arnd Wiegmann
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Lagarde afirma que tensões entre EUA e China são maiores riscos à economia global

Diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde também afirmou que mudanças climáticas precisam ser monitoradas

Célia Froufe, enviada especial, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2019 | 09h43

DAVOS - O maior risco para a economia global atualmente são as tensões existentes entre as duas maiores potências econômicas do mundo, na opinião da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, expressa na manhã desta sexta-feira, 25, durante o painel "Moldando o Futuro das Finanças", realizado durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. "O maior risco que temos hoje é no comércio, mas não é apenas no comércio, entre as duas maiores economias do planeta", avaliou.

No início da semana, o FMI informou que a desaceleração da economia global, que se acentuou no segundo semestre do ano passado em países como Alemanha e Itália, com aperto das condições financeiras em todos os continentes e em meio a um ambiente de disputas comerciais entre Estados Unidos e China, levaram a instituição a diminuir a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) mundial, que estava em 3,7% para este e o próximo ano para, respectivamente, 3,5% e 3,6%.

"A revisão das projeções para o crescimento global de 2019 foi modesta, de apenas 0,2 ponto porcentual", ressaltou Lagarde nesta manhã, explicando que o principal impacto da mudança veio de economias avançadas e que as alterações foram feitas porque o Fundo tem visto os riscos aumentarem. "Estamos vendo a luz piscando, então arrumem o telhado, por favor, pois estamos vendo que as nuvens negras estão bem mais perto", solicitou.

Apesar de ter apontado as duas potências como os principais riscos para o mundo financeiro atualmente, a diretora explicou que não revisou as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) desses dois países porque os Estados Unidos têm o benefício das medidas aplicadas recentemente e a China tem tido sucesso com o seu programa de estimular a economia. A questão, conforme Lagarde, é que os mercados financeiros podem antecipar a concretização desses riscos e também uma maior desaceleração da economia chinesa. "Há uma desaceleração da economia chinesa, mas é preciso dizer que esta desaceleração é boa. Só se torna uma preocupação se for muito rápida", pontuou.

Mudanças climáticas vão 'varrer tudo'

Segundo Lagarde, as mudanças climáticas são um dos principais riscos do mundo atualmente e precisam ser monitoradas pelos agentes financeiros.

Em seminário "Economia Global em Transição", no Fórum Econômico Mundial, em Davos, ela apresentou vários dados sobre recordes de temperaturas na Terra nos últimos anos, e citou que são urgentes ações para evitar a continuidade da piora desses dados, como a redução da emissão de carbono. "Se não aturamos, as mudanças climáticas vão varrer tudo", sentenciou.

Lagarde salientou que este ano o painel - que até a edição anterior tinha como propósito previsões para a economia mundial e que conta com autoridades financeiras das principais economias do mundo - não iria se dedicar ao debate dos temas que usualmente são tratadas nessa parte final do Fórum. "Vamos focar nos riscos e oportunidades que estão aí e que precisam de reação rápida", explicou.

Segundo a diretora, com as mudanças climáticas, algumas indústrias vão sofrer mais do que outras. Ela também recomendou que bancos centrais e bancos de todo o mundo acompanhem o tema e ajudem a encontrar soluções para o clima e suas consequências.

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