Lagarde critica comunicação do Fed e aconselha cautela

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, criticou a comunicação do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) sobre como a instituição planeja deixar sua política monetária acomodatícia, dizendo que a falta de clareza provavelmente motivou a forte volatilidade no mercado.

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2013 | 02h00

Os investidores ao redor do mundo começaram a ajustar seus portfólios para um ambiente de juros mais altos, em meio à discussão pública entre autoridades do Fed sobre a possibilidade de o banco desacelerar suas compras de bônus - hoje R$ 85 bilhões mensais. Isso causou volatilidade nos mercados, com os países emergentes sendo fortemente atingidos.

O anúncio do Fed na semana passada de que a economia pode estar ficando forte o suficiente para crescer com menos apoio do banco central provocou uma nova rodada de volatilidade. "Claramente, foi um anúncio que surpreendeu os mercados e que provavelmente não foi apoiado por informações suficientes para que eles sentissem alguma certeza", disse Lagarde.

Ciente de como o fim de estímulos monetários extraordinários pode impactar a ainda frágil economia global, o FMI tem alertado os bancos centrais a tomarem muito cuidado com suas estratégias de saída da política acomodatícia. "Terá de fazer uma transição gradual, e com comunicação apropriada, para políticas mais normais", afirmou Lagarde.

A diretora-gerente do FMI reconheceu que a tarefa é difícil. "Gerir expectativas é sempre difícil quando os mercados reagem com tanta força." O FMI recomendou ao Fed manter os US$ 85 bilhões mensais de compras de bônus até o início do ano que vem.

Cargo. Em entrevista exclusiva para a agência France Presse, Lagarde disse ontem que se sente "muito, muito bem" no cargo e que tem "zero" ambições políticas na França, e defendeu ainda o papel da instituição na crise de austeridade na Europa.

Perto de completar dois anos no cargo, Lagarde, de 57 anos, assumiu um papel fundamental no manejo da crise na zona do euro e na economia mundial durante a crise financeira de 2008. "Estou absolutamente comprometica com a minha missão no FMI." / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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