Thibault Camus/AP
Thibault Camus/AP

carteira

As ações mais recomendadas para dezembro, segundo 10 corretoras

Lagarde oficializa candidatura ao FMI

Mesmo reiterando que não é candidata dos europeus, ministra não aceitou firmar compromisso para que seu sucessor seja de um país emergente

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / PARIS

Sem surpresa, a ministra da Economia da França, Christine Lagarde, apresentou ontem, em Paris, sua candidatura ao cargo de diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI). O que surpreendeu foi seu discurso: mesmo reiterando não ser candidata dos europeus, não quis firmar compromisso para que o sucessor seja de país emergente.

Em entrevista com representantes da imprensa internacional, Lagarde anunciou suas intenções em um discurso de três páginas. Propôs que o Fundo não apenas continue atuante na crise das dívidas soberanas na União Europeia, mas preste apoio direto aos países da África do Norte e do Oriente Médio que atravessam revoluções. "Sua contribuição ao apoio ao crescimento destas economias será a ilustração da capacidade do Fundo de responder aos seus membros, tendo em conta sua situação específica e suas necessidades", justificou.

Lagarde se definiu como liberal moderada e defensora de regulação, bem ao estilo do governo de Nicolas Sarkozy. Propôs que o Fundo vá além do mandato de zelar pela estabilidade das taxas de câmbio e exerça vigilância forte, análise do setor financeiro mais atuante e supervisão multilateral, sempre tendo em mente interdependência global.

"O Fundo deverá dispor de recursos suficientes e instrumentos adequados, o que exigirá atenção contínua. Devemos nos assegurar que o FMI está pronto a responder a choques sistêmicos", disse a ministra.

Lagarde foi obrigada a responder diversas vezes sobre o papel dos emergentes na atual eleição. Prometeu não sucumbir a arranjos políticos para obter apoio no conselho da instituição. "Há hoje candidaturas que são avaliadas de maneira aberta, transparentes e baseadas no mérito", argumentou. A executiva disse que não se considera a candidata da Europa, e tentou afastar o rótulo para neutralizar o argumento de países emergentes, que gostariam de ter um representante à frente do Fundo, como prometido na eleição de Strauss-Kahn.

"Ser um europeu não é especificamente uma vantagem. Da mesma maneira, ser europeia não deve ser uma deficiência. É com o objetivo de constituir o maior consenso que eu apresento a minha candidatura", disse.

Questionada pelo Estado sobre se sua candidatura se engajaria com a hipótese de que seu sucessor fosse egresso de um país emergente, Lagarde fugiu da resposta, sem assumir compromisso. "Não sei nem mesmo sobre a minha eleição. Como poderia falar de minha sucessão?"

Compromisso. O despiste, entretanto, não deve satisfazer governos como o do Brasil. Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o País deseja um compromisso de que o diretor seguinte não seja europeu.

O tema não deve ser o único ponto de atrito entre os interesses do Brasil e a candidatura de Lagarde. Mantega informou que o representante do Brasil no FMI, Paulo Nogueira Batista, recebeu orientação para apresentar a proposta de que o sucessor de Strauss-Kahn exerça mandato-tampão, até dezembro de 2012. A francesa, porém, foi clara em sua proposta: "Os três últimos diretores não concluíram seus mandatos. Parece-me necessário que o mandato seja realizado em sua integralidade. Se for eleita, me comprometo a respeitar a duração de cinco anos".

Apesar das divergências, pelo menos um ponto das propostas de Christine Lagarde deve atrair o Brasil: o compromisso de dar sequência às reformas na governança do Fundo. Segundo ela, na gestão de Strauss-Kahn, o FMI tornou-se o centro econômico e financeiro mundial.

"Pedra no sapato"

No dia em que se encerram as candidaturas ao FMI (10 de junho), a Justiça da França deve decidir se abrirá investigação formal contra a ministra por suspeita de abuso de autoridade.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.