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Lagarde pode ser indiciada por desvio de recursos

Diretora do FMI presta 12 horas de depoimento à Justiça da França. Ela deverá prestar novos esclarecimentos hoje

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2013 | 02h06

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, prestou ontem 12 horas de depoimentos à Justiça da França por suspeitas de cumplicidade com falsidade ideológica e desvio de recursos públicos durante o governo de Nicolas Sarkozy. A executiva pode ser indiciada hoje por ter autorizado o pagamento de uma controversa indenização de € 285 milhões ao empresário Bernard Tapie, ex-proprietário da Adidas.

O caso remonta a 2007, quando Christine Lagarde era ministra da Economia. À época, ela recorreu a uma câmara de arbitragem para definir um contencioso com Tapie relativo à participação de um banco público na venda da Adidas, em 1993. Essa câmara, suspeita o Ministério Público, decidiu pelo pagamento de uma indenização superfaturada, que em valores corrigidos superava os € 400 milhões. Desde o primeiro momento, o montante provocou suspeitas e a indignação da oposição, que acusou o governo de Sarkozy de beneficiar um de seus amigos.

A investigação chegou ao Tribunal de Justiça da República, que tem dúvidas sobre o quão isenta a decisão foi. Para responder a essas questões, a diretora do FMI chegou à corte às 9h e saiu às 21h, sem que a audiência tenha acabado.

Lagarde prestará novos esclarecimentos hoje. Ao término de seus depoimentos, a ex-ministra deve ou não ser indiciada ou ser incluída como testemunha do caso, que pode implicar outras autoridades da gestão de Sarkozy. Segundo o jornal Le Monde, a convocação da executiva já teria sido feita com o pressuposto do indiciamento, situação que se confirmará ou não hoje.

Ontem, os rumores sobre o futuro de Lagarde à frente do fundo foram estimulados pelo governo socialista de François Hollande, que se mostrou pronto a retirar o apoio à diretora caso o indiciamento se confirme. O ministro da Economia, Pierre Moscovici, antecipou até mesmo a hipótese de que o Estado francês peça sua inclusão no processo como vítima, exigindo reparação dos valores.

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