Lampreia diz que Alca é quase descartável para o Brasil

O ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Felipe Lampreia disse hoje, no seminário "Brasil-EUA: Fortalecendo a Parceira no Comércio e nos Investimentos", que a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) perdeu a atração para o Brasil e hoje é "quase descartável". Ele reforçou que, da forma como está sendo negociada, "a Alca não decola, mas, se decolar, será pouco relevante para o Brasil". Na avaliação do ex-ministro, a proposta inicial para a criação da área de livre comércio, em 1994, previa acesso preferencial dos produtos da região ao maior mercado do mundo, que é o dos Estados Unidos. "Isso era para ser perseguido. Mas o conceito original foi desvirtuado pelos Estados Unidos, que passaram a negociar tarifas de forma bilateral, eliminando quase que completamente as vantagens do bloco para o Brasil."Lampreia também criticou os rumos da negociação, que agora são feitos com base em uma espécie de cardápio, do qual cada país escolhe que áreas quer negociar. Ele acredita que as empresas brasileiras desempenham agora um papel muito mais importante do que na integração comercial das Américas, pois aprenderam a explorar melhor o mercado externo, sobretudo os Estados Unidos. "Isso reflete uma nova posição do setor privado, que vem mudando com o avanço das exportações", observou.De qualquer forma, o ex-ministro considerou importante os resultados das negociações da OMC, em Genebra, no fim da semana passada, pois havia uma ameaça de desmoralização da organização mundial. Ele acredita que o resultado poderá tirar da letargia as negociações da Alca.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.