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Lampreia faz críticas à oferta da UE ao Mercosul

A oferta "fraca" feita pela União Européia (UE) ao Mercosul "pode levar a uma retirada da proposta do Mercosul" à União Européia (UE) para o acordo entre os dois blocos, disse esta manhã o ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil Luiz Felipe Lampreia em palestra promovida pelas Câmaras de Comércio França-Brasil, Brasil-Alemanha e Ítalo-Brasileira. "A oferta da União Européia foi muito pequena e isso está criando uma espécie de marcha-ré", disse Lampreia, que é presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). "A proposta do Mercosul foi bastante interessante e atraente", disse. Consistia em ir reduzindo tarifas de importação até ter, em dez anos, tarifa zero para 83% dos produtos. "As exceções são produtos sensíveis, mas é menos de 20% dos produtos", observou. "É uma oferta significativa e que deixou muitos industriais brasileiros inquietos", afirmou Lampreia, que também preside do Conselho de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).Segundo Lampreia, o interesse dos europeus e dos americanos pela América Latina, e pelo Brasil, caiu muito desde que o acordo da União Européia com o Mercosul e o Acordo de Livre Comércio das Américas (Alca) começaram a ser negociados, respectivamente, em 1997 e 1994. "Acredito que isso não significa que vamos ficar parados. O caminho que dá mais esperança para nós é o da OMC (Organização Mundial do Comércio)". Para ele, há um impasse no momento na OMC, mas que deve ser superado a partir do ano que vem. CríticasEle também criticou a política externa atual. "Nosso governo tem dado excessivo peso a questões políticas e ideológicas e pouco para questões econômicas e comerciais", afirmou. Ele citou que o secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, considera a Alca uma anexação como exemplo de visão ideológica que deveria ser evitada. Para ele, o Brasil tem que ser pragmático.Disse ainda que "o Brasil liderar a América Latina é uma ilusão, um sonho de uma noite de verão que não deveria durar dois minutos" devido às grandes diferenças entre os países no continente. "Nossa situação é isolada por definição porque não tem mais ninguém que produza de aviões a jato a camisetas", disse. "Tem dez a doze países no Caribe cuja população não chega a de Copacabana", afirmou.

Agencia Estado,

29 de abril de 2004 | 12h40

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