Lamy já vê luz no fim do túnel

Acordo sobre temas difíceis está próximo, acredita OMC

Efe, O Estadao de S.Paulo

27 de outubro de 2007 | 00h00

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, assegurou ontem que em cerca de duas semanas será possível conseguir um acordo sobre os assuntos mais difíceis da Rodada Doha, com o que se vislumbra a perspectiva de colocar um ponto final em seis anos de negociações.Em discurso no Comitê de Economia e Finanças da Assembléia Geral da ONU, Lamy mostrou otimismo sobre a conclusão da Rodada. Ele assegurou que desde seu último comparecimento no comitê, em julho, foi possível ''''um grande progresso'''', que se baseia no fato de agora estarem sendo discutidas reduções concretas de tarifas e subsídios. ''''O bom é que começamos a colocar números sobre a mesa'''', ressaltou.As negociações da Rodada começaram em 2001, com o objetivo de liberalizar o comércio mundial para ajudar o desenvolvimento dos países menos industrializados, como um segundo passo após a Rodada do Uruguai que, em 1994, abriu os mercados de 123 países.Lamy afirmou que os temas em discussão contemplam a eliminação completa dos subsídios agrícolas à exportação e a redução dos subsídios internos nos países desenvolvidos, a qual foi aceita na rodada comercial anterior. O acordo nesse capítulo está pendente de ''''algumas concessões dos Estados Unidos'''', assegurou.Quanto às tarifas dos produtos agrícolas, a proposta corta as mais altas entre 60% e 70%, embora tenha assinalado que a União Européia (UE) e o Japão ainda têm reservas.O terceiro assunto mais difícil - as tarifas das exportações não agrícolas - está dependente de países emergentes, como Brasil, Índia, Argentina e África do Sul, que desejam contar com certa flexibilidade para proteger ''''alguns setores sensíveis''''. ''''Estou convencido de que os membros da OMC sabem o que vale a pena e que é preciso dar um último impulso político'''', comentou ele.A eliminação dos subsídios e tarifas agrícolas é um das exigências dos países em desenvolvimento, que se queixam de serem impedidos de competir com igualdade de condições em um setor onde os países industrializados têm vantagens. Lamy disse que abordar assuntos mais difíceis, como subsídios agrícolas, permitiu passar para temas como serviços, pesca e trâmites de exportação.

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