Lamy pressiona governo sobre as negociações

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, manda um recado ao governo brasileiro: o País quer ou não negociar a Rodada Doha com o objetivo de chegar a uma conclusão? Segundo informou a diplomacia brasileira em Genebra, Lamy mandou seu recado por diferentes emissários. O governo garante que quer negociar, mas em bases diferentes. A cobrança do francês ocorre depois que o País montou uma operação diplomática e impediu que a proposta da OMC fosse aprovada como base de um acordo. Na semana passada, o Itamaraty neutralizou a proposta de corte de cerca de 60% de suas tarifas de importação de bens industrializados. A proposta foi feita pelo mediador das negociações, Don Stephenson, e apoiada nos bastidores pela OMC. Diante do bloqueio, Lamy se recusou até mesmo a falar com a imprensa na sexta-feira. O francês alertava há meses de que os últimos dias de julho seriam fundamentais para o processo. Mas o mês será concluído sem que Lamy sequer explique o que teria ocorrido. Não por acaso, sua decisão de cancelar sua conferência de imprensa antes de sair de férias foi tida como um sinal negativo por negociadores. Para os assessores de imprensa da OMC, o motivo do cancelamento era simples: Lamy não tinha o que dizer mais, já que seu porta-voz já havia dado uma conferência um dia antes. Na avaliação do Itamaraty, a proposta de corte de 60% foi mais uma tentativa de a OMC tentar impor um acordo. A primeira delas, na avaliação dos brasileiros, ocorreu na conferência de Cancún, em 2003.Desde então, o padrão se repetiu em várias ocasiões. "Queremos negociar. Mas não nas bases que estão sendo oferecidas", afirmou um experiente negociador brasileiro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.