Lamy vê ''bom progresso'' para retomada de Doha

Para diretor da OMC, falta ''um pouco de energia política''

, O Estadao de S.Paulo

09 de junho de 2009 | 00h00

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, pediu ontem que os países resistam às tendências protecionistas e disse que está havendo um "bom progresso" em direção ao relançamento da Rodada Doha.Falando em Bali, Indonésia, onde 19 ministros do Grupo de Cairns, países exportadores de produtos agrícolas,estão reunidos num esforço para estimular o comércio global, Lamy disse que os governos buscam um acordo para fornecer a "energia política necessária" ao reinício da Rodada Doha. "Temos de tentar encerrar essas negociações e já percorremos 80% do caminho", declarou Lamy, à rede de TV americana CNBC. Segundo ele, "um pouco de energia política" é necessário para concluir o processo.As negociações da Rodada Doha começaram há oito anos e foram paralisadas no fim do ano passado por divergências entre Estados Unidos, China e Índia. Ontem, Lamy se reuniu com o representante de Comércio dos EUA, Ron Kirk, e o recém-nomeado ministro do Comércio da Índia, Anand Sharma.Kirk, ex-prefeito de Dallas e designado para o posto em março pelo presidente Barack Obama, também se reuniu brevemente com membros da delegação chinesa, às margens do encontro de ministros. Kirk não fez comentários, mas Sharma disse que as conversas foram "positivas" e ambos os lados reiteraram o compromisso de concluir a Rodada Doha.Os países em desenvolvimento, incluindo China e Índia, querem que os países industrializados suspendam os subsídios às exportações agrícolas, enquanto as potências ocidentais buscam maior acesso de seus produtos nos mercados emergentes. Em julho do ano passado, em Genebra, as negociações de Doha foram abandonadas após a recusa dos EUA de aceitar a reivindicação da Índia de medidas para proteger setores vulneráveis contra uma enxurrada de importações.Sharma disse que é tempo de "tirar as peças de onde elas estão e movê-las à frente". "Não estamos olhando para as dificuldades, e sim para as possibilidades, para fazer nosso melhor e levar este processo à sua culminação", declarou. "Não há obstáculos que sejam intransponíveis." O ministro indiano informou que vai a Washington em meados de junho para continuar as conversas com Kirk.O embaixador do Brasil na OMC, Roberto Azevedo, que compareceu à reunião entre Kirk e Sharma, disse que é importante que Washington e Nova Délhi enviem um "sinal político" claro de que estão dispostos a resolver suas diferenças. "Temos dois novos players, Ron Kirk e Anand Sharma, então é bom ter uma oportunidade para ouvi-los e saber o que trazem à mesa", disse o embaixador brasileiro.Além de pedir o reinício da Rodada Doha, o grupo de ministros em Bali condenou os crescentes sinais de protecionismo, incluindo a nova guerra comercial entre Estados Unidos e União Europeia acerca dos subsídios à exportação de laticínios. Os parceiros dos EUA também resistem ao plano "Buy American", incluído na legislação de estímulo econômico dos EUA. DOW JONES NEWSWIRES

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