Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Lançamento de imóveis em SP aumenta 25%

Resultado de outubro é o melhor do ano, mas setor deve lançar 30% menos que em 2015

Douglas Gavras, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2016 | 05h00

O número de imóveis residenciais lançados na cidade de São Paulo em outubro foi 25,3% maior que no mesmo mês do ano passado, segundo dados do Secovi-SP, entidade do setor. Naquele mês, a capital paulista ganhou 2,2 mil unidades, melhor resultado deste ano. Apesar da recuperação, porém, a entidade estima fechar 2016 com 16 mil unidades lançadas na cidade, uma retração de mais de 30% ante o ano anterior. Em 2015, foram quase 23 mil lançamentos, a maioria planejada antes do agravamento da crise econômica e da queda expressiva nas vendas. 

“Antes da crise e da aprovação do Plano Diretor, que alterou as regras para novas construções, nós estimávamos que o mercado paulistano estaria em um patamar de 30 mil a 35 mil lançamentos por ano. Essa foi a média de 2007 a 2013”, disse Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP. 

As empresas do setor, no entanto, só terão uma dimensão real do tamanho do mercado paulistano novamente daqui a dois anos, caso os indicadores econômicos do País deem sinais sólidos de melhora, diz. “Até junho, o consumidor se mostrava bem desanimado e indisposto a fechar negócios. Isso afetou o volume de lançamentos, já que o empresário evitou aumentar a quantidade de produtos na prateleira quando as vendas já estavam fracas.” 

Em outubro, as vendas de imóveis na cidade tiveram alta de 35,5% na comparação com outubro de 2015. Segundo o economista, a recuperação em outubro pode ser explicada como um reflexo da demanda reprimida do cliente, que vinha adiando a compra do imóvel desde o ano passado. “O consumo refletia a incerteza em relação ao tamanho da crise. Ninguém duvida que o País ainda esteja em dificuldades, mas as pessoas continuam se mudando, casando.” 

Só que um crescimento agora parte de uma base muito baixa. Desde o segundo semestre 2013, quem busca um imóvel demora mais para tomar a decisão de compra. “Como a oferta estava muito maior que a demanda, a reação das empresas foi diminuir o número de lançamentos, para queimar estoque”, lembra Lucas Araújo, da Trisul.

Expectativa e realidade. Mesmo após um outubro melhor do que o esperado, as construtoras agora estão apreensivas em relação aos próximos meses, sobretudo pelo possível agravamento da crise política, com o andamento da Operação Lava Jato, e como esse cenário poderia postergar a retomada da disposição de compra do consumidor, ainda bastante frágil.

“É possível que esse movimento se reflita nos dados do último trimestre. Em outubro, quem queria comprar um imóvel se sentiu mais motivado por sinais importantes, como a perspectiva de queda da inflação e redução dos juros, mas já percebemos que novembro foi um pouco pior que o mês anterior”, diz Eduardo Pompeo, diretor da incorporadora Setin.

Após seis altas seguidas, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 3,3 pontos, atingindo 79,1 pontos em novembro, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), sobretudo em relação às expectativas futuras, que caíram 4,9 pontos, atingindo 87,7 pontos.

“São indicadores preocupantes, que afetam diretamente a tomada de decisão do consumidor. Apesar de termos tido vendas acima de 50% das unidades em três lançamentos recentes, o mercado ainda tem de operar com um volume alto de cancelamento de compras, os chamados distratos”, diz Eduardo Muszkat, diretor executivo da You,Inc. A empresa registra um patamar de distratos de 20% neste ano. Em 2015, era de 8%

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