Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Lançamentos de imóveis recuam 18,6% em São Paulo

Desempenho ruim no ano também é registrado na venda de novos e usados e no preço dos novos contratos de aluguel

Hugo Passarelli,Anna Carolina Papp, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2015 | 05h00

O mercado imobiliário da cidade de São Paulo sentiu a forte desaceleração da economia nos primeiros meses do ano. Uma série de indicadores mostram recuo nos lançamentos, nas vendas de novos e usados e no preço dos contratos novos de aluguel. Para especialistas, a situação pode piorar ainda mais até o fim do ano, refletindo o aumento do desemprego e queda da renda das famílias.

Dados obtidos pelo Estado com o Secovi-SP, o sindicato da habitação, mostram que, no acumulado de janeiro até maio, as vendas de novas unidades residenciais em São Paulo recuaram 11,4% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto os lançamento caíram 18,6%. Na capital paulista, há hoje um estoque de 28,1 mil unidades, entre imóveis na planta, em construção e prontos.

“Daqui para frente, tudo vai depender do ajuste fiscal. Só em agosto vamos ter uma ideia melhor de como será o segundo semestre”, diz Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP.

A entidade estima uma redução de 15% a 20% nas vendas e recuo de 23% a 25% em lançamentos neste ano. Ele avalia que, na melhor das hipóteses, o setor não vai escapar de uma retração forte e fechará 2015 no piso das projeções do Secovi. 

O mercado de usados também sofreu impacto. Segundo pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), as vendas caíram 4,43% em maio em relação a abril. A entidade atribui a queda à restrição do crédito por parte dos bancos, sobretudo da Caixa, que responde por cerca de 70% dos financiamentos. 

Afetada pelas perdas da poupança, que no primeiro semestre registrou saques de R$ 38,5 bilhões, o banco público subiu juros e apertou as condições de crédito. Em nota, a Caixa afirmou que a principal fonte de recurso para crédito imobiliário este ano será o FGTS e o foco será o Minha Casa Minha Vida.

A perda de fôlego dos financiamentos abriu espaço, sobretudo no mercado de usados, para negociações à vista, a preços mais competitivos. “No primeiro trimestre, os financiamentos representaram 70% das vendas da Lello Imóveis. No segundo, essa fatia caiu para 40%”, afirma Igor Freire, diretor de vendas da empresa. Segundo ele, um recuo de preços de até 15% e a negociação mais intensa entre compradores e vendedores, com ofertas à vista, fizeram as vendas crescerem 22% no primeiro semestre ante 2014.

O esfriamento do mercado também fez aumentar o número de imóveis para locação. Em junho, os anúncios no site de classificados Zap somaram 32.936 na capital paulista, salto de 43,5% ante um ano antes.

Em São Paulo, o preço de novos contratos de locação caiu 0,64% de maio para junho, segundo o Índice FipeZap de Locação. Na média entre nove cidades brasileiras, o indicador atingiu uma marca inédita: houve recuo de 0,57% em 12 meses até junho, a primeira queda nessa análise. “Agora, pode ser a chance de conseguir um preço melhor no reajuste do contrato porque o aluguel novo está em queda”, diz Eduardo Zylberstajn, da Fipe.

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