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Felipe Rau/Estadão
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Land Rover volta a fazer o Evoque no País este ano e afasta rumores de que estaria de saída

Presidente diz que, ao contrário de outras montadoras, grupo pretende ficar no Brasil; nos últimos meses, empresa aumentou de 250 para 450 a quantidade de funcionários da planta do Rio

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2021 | 05h00

Quem acredita que a Jaguar Land Rover pode ser a próxima montadora a deixar o Brasil, como ocorreu com Ford e Mercedes-Benz, “está fazendo a aposta errada”, diz o presidente da empresa na América Latina e Caribe, Frédéric Drouin. Ao longo de sete anos – com exceção de 2018 –, a marca registrou seguidas quedas de vendas no País, mas espera voltar a crescer este ano com o retorno da produção local do Range Rover Evoque.

O utilitário-esportivo (SUV) deixou de ser feito na fábrica de Itatiaia (RJ) em 2019, quando a matriz britânica atualizou a plataforma que é dividida com o Discovery Sport, que passou a ser o único modelo de fabricação nacional da marca. Segundo Drouin, a ideia era nacionalizar o Evoque em 2020 mas, com a pandemia, o projeto foi congelado. “Agora, temos a oportunidade de voltar a produzi-lo”, diz.

Sem revelar investimentos, o executivo afirma que o Evoque começará a ser feito no último trimestre e será vendido como linha 2022. Em janeiro, em encontro com o governo do Rio, a empresa disse que investiria R$ 19 milhões, mas não detalhou em que seriam gastos. 

A fábrica será fechada em julho para adaptações necessárias para a produção do Evoque. Nos últimos meses, o quadro de funcionários, que era de 250 pessoas antes da pandemia, foi ampliado para 450. 

Com o SUV de luxo compacto, a Land Rover volta a produzir os dois veículos de quando inaugurou a fábrica, em 2016, porém mais evoluídos. Entre as inovações tecnológicas, estão câmera 360° (que mostra todo o lado externo do veículo) e uma função em que o motorista tem ampla visão do terreno à sua frente. Também tem sensor que monitora a profundidade da água no local em que o carro está.

O Evoque importado custa atualmente R$ 373 mil, mas a empresa não informa se o preço será mantido para o nacional.

Em 2020, a Land Rover vendeu 4,6 mil unidades dos seus SUVs de luxo, incluindo versões importadas e o nacional Discovery. Foi o menor volume da marca em dez anos, inferior inclusive ao de períodos em que apenas importava.

A fábrica tem capacidade instalada para 24 mil veículos ao ano, mas vem mantendo média de 2 mil a 3 mil unidades. Desde sua inauguração, a maior venda foi registrada em 2018, com 6,75 mil unidades. A melhor marca, porém, é de período anterior – em 2013, com 10,6 mil modelos.

Nos primeiros quatro meses deste ano, foram vendidos 1,88 mil carros da marca, 14,3% a mais que em igual período do ano passado. Já os negócios com o esportivo Jaguar caíram quase 80% porque fábricas do modelo tiveram problemas com a falta de semicondutores.

Mais ganhos

Drouin explica que o resultado do ano passado da Land Rover também foi afetado pela falta de chips. A pandemia também levou o grupo a suspender a produção por várias semanas.

O executivo não se abala com dados de comercialização. “Nosso foco é em uma operação sustentável, e não em número de vendas”, diz. Ele ressalta que o tíquete médio dos modelos do grupo é de R$ 330 mil a R$ 350 mil, o que garantiu à empresa equilíbrio fiscal no ano passado, quando várias montadoras de grande porte registraram prejuízos. A Land Rover disputa um nicho de mercado que consome cerca de 18 mil veículos por ano e detém perto de 30% desse volume. 

Além da volta do Evoque, a montadora buscou novos negócios durante a pandemia. Um deles é um contrato de arrendamento (leasing) de seu laboratório de emissões para a empresa Idiada, que presta serviços de testes para outras empresas do setor automobilístico.

Também inaugurou, na semana passada, uma divisão exclusiva para restauração de veículos clássicos da marca. “Já recebemos mais de 200 consultas de interessados”, diz Drouin.

Debandada

De 2014 a 2016, quatro marcas premium abriram fábricas no Brasil. Além da expectativa de um mercado em alta, o que as trouxe ao País foi medida adotada pelo então governo Dilma Rousseff de taxação extra de 30 pontos porcentuais para o IPI de carros importados.

As três alemãs (Audi, BMW e Mercedes) e a britânica/indiana Jaguar Land Rover investiram R$ 2,2 bilhões e nunca atingiram seus objetivos de produção e empregos. Em dezembro, a Mercedes-Benz decidiu fechar sua fábrica de automóveis em Iracemápolis (SP). A Audi suspendeu sua produção no complexo que dividia com a Volkswagen no Paraná e diz que poderá retomar atividades em 2022 se tiver sinal do governo federal de que devolverá créditos tributários que as quatro marcas tinham direito na época da instalação e que não foram restituídos por completo. Frédéric Drouin, da Land Rover, avalia que um ponto fundamental para a empresa é a estabilidade jurídica.

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