Langoni comenta a disputa Brasil-Argentina

Ex-presidente do Banco Central e atual diretor do Centro de Economia Mundial da FGC, Carlos Geraldo Langoni disse que existe uma enorme diferença de competitividade entre a indústria brasileira e a argentina, razão pela qual os conflitos entre as duas economias irão surgir de forma cada vez mais acentuada. Entrevistado no programa ?Conta Corrente?, da Globo News, o economista lembrou que, para o Brasil, o Mercosul é mais do que um simples objetivo econômico, mas uma plataforma geopolítica, onde o Brasil pretende e está construindo uma liderança regional. Para ele, um Mercosul ampliado, com a inclusão agora da Venezuela, do Chile e da Bolívia e, possivelmente do México, é muito importante para o Brasil. "Portanto, o custo desta liderança vai ser acomodar essas diferenças, essas assimetrias de competitividade entre a indústria brasileira e a argentina."Mau exemploPara Langoni, a Argentina está cometendo um erro em sua política macroeconômica, ao tentar resolver seus problemas com o calote de sua dívida. "É um mau exemplo, que não deve ser seguido pelo Brasil. Tanto que este crescimento argentino já está esbarrando no uso de sua capacidade instalada. Não existem novos investimentos, pelo contrário existe uma crise inclusive no setor energético devido ao congelamento de tarifas, uma medida populista", afirmou. Segundo o ex-presidente do BC, enquanto a Argentina não resolver o problema de sua dívida, os investimentos e os créditos externos não virão. "O Brasil, que segue uma política muito mais coerente, felizmente resiste a essa atração fatal do neopopulismo, que prejudicou tanto a América Latina."Atenção com a inflaçãoCarlos Langoni se confessou preocupado com os índices gerais de preços que vêm sendo apurados pelo IBGE, FGV e Fipe, embora ainda esteja sendo possível manter a meta de inflação, dentro da banda fixada pelo Banco Central. "É importante não permitir que a inflação brasileira volte aos dois dígitos, mas por enquanto eu acho que o Banco Central consegue acomodar a situação, sem precisar elevar a Selic." E acrescentou: "A notícia desagradável é que também não há muito espaço para a sua redução."

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