Langoni prega fim de acordo com FMI

Durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, adotaram posição neutra sobre a renovação do acordo com o FMI, alegando que a decisão só sairá em março. Mas, na opinião de Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da FGV e ex-presidente do BC, "já está na hora do desligamento com o FMI, embora seja importante o País não fechar as portas".Em entrevista ao Conta Corrente, da "Globo News", Langoni ponderou, no entanto, que, antes de um rompimento do acordo com o FMI é importante que haja um reforço no ajuste fiscal e, se possível, a manutenção da meta de superávit primário em 4,5% este ano. Na opinião dele, o Brasil deve deixar claro que o compromisso da estabilidade monetária estará mantido, mesmo porque as reservas internacionais do País estão em um nível "muito baixo". "Portanto, é bom manter a porta aberta, caso haja alguma turbulência não prevista no cenário internacional", aconselhou. A nova emissão de títulos da dívida pública brasileira no exterior foi considerado um sinal de "bom começo de ano" pelo economista. Para ele, a demanda pelos títulos maior do que a oferta é um "teste importante de confiança no Brasil". Quanto à queda do dólar, que chegou a R$ 2,61 ontem, impulsionada pela emissão dos títulos, Langoni acredita que a desvalorização da moeda americana frente ao real é reflexo do próprio sucesso da política econômica do País, além dos fatores externos que estão influenciando a queda da moeda frente a outras pelo mundo. Mas ele acredita que, em breve, haverá uma modificação dos fatores externos e uma acomodação na política do Banco Central de elevação dos juros, permitindo ao dólar chegar a um nível razoável, que não prejudique as exportações brasileiras no médio prazo. Como no ano passado o déficit público foi baixo, Langoni credita ao reaquecimento da demanda interna o aumento da inflação no País. Diante desse quadro, ele receita um aperto fiscal ainda maior para combater "a gordura" da inflação brasileira. "Essa é a forma mais eficiente (aperto fiscal), que causa menor dano ao crescimento econômico, e a que permite uma redução mais rápida da inflação." Apesar de eficiente de um lado, a receita, disse Langoni, traz prejuízos políticos. Será muito difícil o Brasil e a Argentina conseguirem uma parceria nos negócios. O país vizinho ao Brasil, na opinião do economista, perdeu a credibilidade ao declarar moratória. O Brasil, ao contrário, fez a lição de casa passada pelo FMI e, portanto, tem mais credibilidade e, por isso, está conseguindo atrair mais investimentos. "O Brasil avançou muito mais (que a Argentina), possui um setor privado mais dinâmico. A tendência é que esse fosso de competitividade entre Brasil e Argentina se amplie, tornando difícil manter a idéia do Mercosul", previu.

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