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Larissa Manoela lança operadora virtual de celular e vende 2,5 mil chips em 6 dias

Diferencial da Lari Cel será a proximidade com a atriz e cantora, que promete oferecer conteúdo exclusivo aos clientes; planos pré-pagos custam a partir de R$ 25 e não exigem fidelidade dos consumidores

Anne Warth e Marlla Sabino, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2021 | 16h13

BRASÍLIA - Quase 2,5 mil chips vendidos em apenas seis dias de operação mostram a força da atriz e cantora Larissa Manoela, que lançou uma operadora virtual de telefonia celular. Com planos pré-pagos acessíveis e sem exigir fidelidade dos consumidores, a Lari Cel começou a atuar oficialmente na última sexta-feira, 4. O maior diferencial da companhia será justamente a proximidade com a artista, que promete oferecer conteúdo exclusivo aos clientes, além de experiências como ingressos em locais privilegiados em shows, jantares e até viagens.

“Queremos oferecer pacotes personalizados e exclusivos, com um valor que caiba no bolso das pessoas”, disse Larissa Manoela em entrevista ao Estadão/Broadcast. Os clientes não terão contrato com a operadora, mas aqueles que fizerem recargas mensais terão benefícios exclusivos. “Estamos estudando trazer essa conexão virtual para o mundo real e, passada a pandemia, trazer os clientes para viagens para a minha casa na Disney, nos Estados Unidos, por exemplo.”

Atuando desde os 4 anos de idade como modelo, Larissa Manoela acumula dezenas de produtos licenciados com seu nome, como roupas, produtos de beleza e material escolar, mas é a primeira vez que entra no segmento de serviços. A operadora Lari Cel é uma parceria da artista com a Dry Company, uma operadora virtual da Surf Telecom, agregadora de operadoras virtuais que usa a infraestrutura da TIM em todo o território nacional para tráfego de voz e dados.

Veja a entrevista com a atriz: 


As conversas começaram há mais de um ano. A Dry nasceu no fim de 2019, quando os sócios Tatiane Perez e Evandro Bei perceberam o potencial das operadoras virtuais nos Estados Unidos e Europa, onde o mercado de telefonia móvel não é tão concentrado como no Brasil. A primeira experiência foi com o time do São Paulo, com o lançamento da SPFC Chip. Hoje, a empresa é líder no segmento do futebol. Já são 800 mil chips ativos em todo o País em 72 operadoras virtuais vinculadas a clubes, escolas de samba, comunidades e varejistas.

Com 38,5 milhões de seguidores no Instagram, Larissa Manoela é a primeira artista a representar uma operadora virtual, mas há negociações com outros já em andamento. A CEO da operadora, Tatiane Perez, diz que a atriz não foi escolhida à toa. “Ela é a porta-voz de uma geração hiperconectada, fala para crianças, adolescentes e pessoas de todas as idades, tem alcance nacional e uma visão ambiental e socialmente inclusiva”, afirmou. 

A atriz é dona da operadora, mas ainda não fez aportes financeiros. O contrato entre as partes prevê etapas que envolvem investimentos e retornos a serem ajustados no futuro, diferentemente das parcerias com times de futebol, em que os clubes ganham uma espécie de royalty a título de comissão.

Onde comprar o chip da Lari Cel

Os chips são vendidos pelo site oficial da operadora, mas nos próximos meses serão também distribuídos por lotéricas, agências dos Correios e bancas de revistas por todo o País. Para o futuro, Larissa Manoela não descarta a possibilidade de ter pontos de venda próprios da companhia, como outras empresas do setor de telecomunicações. “Ainda não está nos planos, mas, como a gente sonha alto, desejamos conseguir estruturar para talvez ter uma loja física”, disse a atriz.

A pandemia de covid-19 atrasou o lançamento da operadora, até por falta de chips no mercado. Não fosse por isso, segundo Larissa Manoela, a meta seria chegar aos 100 mil chips até o fim deste ano. Se depender do engajamento da artista, não será difícil. Ela apostou em campanhas publicitárias e na interação com os fãs pelas redes sociais, na distribuição de chips para influenciadores digitais e outros artistas e até seu site oficial já direciona os fãs para a Lari Cel. As ações já mostram resultado: o perfil oficial da operadora no Instagram já ultrapassa os 47,1 mil seguidores.

Por enquanto, são cinco planos de dados e voz pré-pagos com sinal 4G e valores entre R$ 25 e R$ 75, todos com WhatsApp ilimitado. Os clientes não precisam pagar pelo chip e, para alguns pacotes, há desconto de 50% no valor da recarga. O próximo passo serão os planos familiares. A intenção é que não apenas crianças e adolescentes usem o serviço, mas que os pais dos fãs também escolham migrar para a operadora.

A paixão dos clientes pela marca associada à operadora é um diferencial para a Dry, afirma Tatiane Perez. Segundo ela, as operadoras virtuais exploram um público de nicho e devolvem benefícios a seus clientes, seja um cashback, no caso de varejistas, uma camisa oficial ou um ingresso disputado, para times de futebol, ou um convite especial para conhecer um ídolo em um jantar, como Larissa Manoela.

Estrela do filme que lidera a audiência na Netflix entre programas de língua não inglesa, Larissa Manoela prepara um álbum com músicas novas e pretende retomar os shows quando a pandemia acabar, e uma das possibilidades é a pré-venda exclusiva dos ingressos com melhor localização para os clientes da operadora.

Para Tatiane Perez, o diferencial da Dry Company são os preços competitivos e o mantra de não atuar como uma operadora tradicional. “Nossa meta é conectar as pessoas por preços mais justos, entregar serviços melhores e devolver oportunidades que elas nunca imaginariam que poderiam ter. Nosso negócio é entregar, também, um senso de pertencimento”, disse. “As operadoras mais tradicionais exigem contratos com fidelidade que amarram o cliente, e essa geração mais jovem não gosta desse tipo de relação fixa. Larissa Manoela representa isso muito bem”, acrescentou.

Com milhões de fãs - conhecidos como larináticos - entre crianças e adolescentes, Larissa Manoela tem 20 anos e conquistou um público formado por mulheres jovens que cresceram assistindo a suas novelas. A ideia é explorar a influência da artista para estimular campanhas de vacinação e de prevenção contra o câncer, além da preservação do meio ambiente.

“É a primeira vez que uma pessoa física se envolve com uma operadora virtual de celular dessa forma e eu estou muito feliz de ser essa pessoa. Sempre tive esse lado de empreendedora, desde pequena. Na maioria das vezes, o artista caminha para um lado que eu já tenho, de produtos licenciados, mas uma operadora é algo super inovador e eu gosto de desafios”, disse Larissa Manoela.

Sobre o risco reputacional, já que as operadoras de telefonia costumam estar entre as líderes de reclamações de consumidores, Larissa Manoela disse que isso foi bem calculado. O pós-venda e o atendimento ao cliente serão realizados pela equipe própria da Dry. “Levantamos todas essas questões porque sabemos que não é só bônus, tem ônus também. Mas estamos preparados para isso e esperamos entregar o melhor desempenho”, afirmou.

Mudança de rotina na pandemia

Acostumada a uma agenda lotada de shows e gravações, Larissa Manoela - e toda a classe artística - teve seus compromissos interrompidos por causa da pandemia da covid-19. “Quando me deparei dentro da minha casa sem estar sendo produtiva, sem ter que seguir uma regra, um horário, fiquei bem assustada”, disse. O caminho foi usar o tempo para se dedicar a atividades que não tinham espaço em sua vida antes: exercícios físicos, meditação, aulas de idiomas e trabalhos manuais, além de passar mais tempo com os pais.

Larissa se manteve ativa nas redes sociais e dividiu um pouco de sua nova rotina, como os treinos e sessões de yoga, para incentivar os fãs. “A gente migrou para um universo totalmente virtual, que vem ao encontro desse meu novo projeto. Essa conexão que a gente não ia ter pessoalmente foi feita através das redes”, disse. 

A situação também levou a atriz a refletir sobre o tempo que passa “conectada”. “Tem que ter um equilíbrio. Eu mesma tenho limite de tempo de uso no meu celular. Prezo muito pela minha saúde mental, espiritual e física.”

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