‘Las Vegas da Ásia’, Macau sofre com desaceleração chinesa

‘Las Vegas da Ásia’, Macau sofre com desaceleração chinesa

Movimento nos cassinos, principal atividade econômica da região, despencou 40,5% no 2º trimestre, levando o PIB a uma queda de 26,4%; número de turistas chineses caiu 19% no período

Fernando Nakagawa, correspondente, O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2015 | 20h12

Deu zebra em Macau. Um dos destinos turísticos mais populares da Ásia, a ex-colônia portuguesa famosa pelos cassinos lotados de chineses sente a desaceleração do gigante asiático. No segundo trimestre, a economia da cidade-estado amargou contração de 26,4% e a explicação para a depressão pode estar do outro lado da fronteira. O número de turistas chineses caiu 19% e o movimento dos cassinos, a principal atividade econômica da região, despencou 40,5%.

Única região sob o guarda-chuva de Pequim que oferece jogo legal, Macau está separada apenas por um muro da cidade chinesa de Zhuhai e fica a uma hora de barco de Shenzhen. Em 2014, segundo o governo local, 22,2 milhões de chineses atravessaram a fronteira para visitar e apostar em Macau.

Esse é o motor dos números impressionantes da cidade que ainda tem o português como língua oficial. Segundo o Morgan Stanley, as receitas com apostas dos cassinos que ficam no entorno da Avenida da Amizade atingiram US$ 38 bilhões em 2012. Do outro lado do mundo, na The Strip em Las Vegas, o faturamento somou US$ 6 bilhões no mesmo ano. Ou seja, Macau fatura seis vezes mais que Vegas.

Mas a Las Vegas da Ásia tem enfrentado tempos difíceis. Nesta segunda-feira, a Direção dos Serviços de Estatística e Censos informou que a recessão está cada vez mais acentuada na cidade-estado. A contração do Produto Interno Bruto (PIB), que começou com queda inferior a 5% no terceiro trimestre de 2014, ganhou velocidade ao longo dos últimos trimestres. De abril a junho de 2015, o tombo do PIB superou os 26%, sendo que a atividade no setor de jogos de azar caiu 40,5%. Em outros serviços de turismo, a contração anual foi de 21,5%

Corrupção e crise. Empresas que controlam grandes cassinos de Macau, como a MGM China e a Wynn Macau, têm ações listadas em Hong Kong. Desde o ano passado, balanços já alertavam para a desaceleração. Inicialmente, as empresas explicavam a queda das apostas pela adoção de novas leis anticorrupção na China. Os balanços não eram tão explícitos, mas analistas explicavam que medidas adotadas por Pequim fecharam o cerco aos milionários que torravam yuans em Macau. Isso explica a queda de mais de 50% nas receitas das chamadas "mesas VIP" dos grandes cassinos no ano passado.

Agora, porém, parece que a crise também chegou ao andar de baixo. No chamado "main floor" - segmento dos cassinos onde estão os apostadores comuns, as receitas também caíram significativamente. No primeiro semestre, as receitas entre os apostadores comuns diminuíram 18,6% no MGM e 12% no Wynn. Nas máquinas de aposta, é ainda maior com queda do faturamento entre 20% e 30%, informam as empresas.

Junto com os dados do PIB, o governo de Macau anunciou que o número de turistas vindos da China continental caiu 19,1% em julho na comparação com um ano antes - chineses respondem por mais de 80% do turismo na cidade. Também caiu o número de visitantes de Taiwan, Hong Kong e da Coreia do Sul. Ao todo, a cidade-estado recebeu 820 mil pessoas em julho, número 22,3% menor que o observado um ano antes.

"Um número significativo de apostadores no Wynn Macau vem da China continental. Qualquer ocorrência econômica ou contração na China pode afetar nosso número de visitantes e quanto eles estão dispostos a gastar", alerta o balanço do casino Wynn. No balanço semestral do MGM China, o tom é idêntico. "O primeiro semestre de 2015 continuou a ser um período desafiador para o mercado de apostas de Macau como resultado da mudança das condições que teve início em meados de 2014", cita o balanço ao citar as ações contra a corrupção na China e a desaceleração do crescimento econômico do país. 

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