Latam deve ter um só programa de fidelidade

Mas, segundo presidente da TAM, no curto prazo nada muda para usuários

Michelly Chaves Teixeira, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2010 | 00h00

Novos negócios. Para Bologna e Barroso, da TAM, o futuro da Multiplus pode estar na expansão internacional    

 

 

 

 

 

Os programas de fidelidade da TAM e da LAN não passarão por mudanças no curto prazo por conta da fusão entre as companhias aéreas, que resultou na Latam. Pelo menos até o negócio ser aprovado entre os acionistas das duas empresas e pelos órgãos reguladores, nada muda. Mas com o tempo o plano das novas parceiras é unir os dois programas e passar a oferecer uma única opção aos passageiros.

A LAN oferece aos cerca de 4 milhões de usuários o LANPass e faz parte do programa internacional de fidelidade Oneworld. Já a TAM tem o Programa Fidelidade, com 7,2 milhões de clientes, e integra a Star Alliance.

A TAM S.A. tem 73% da Multiplus, gestora do programa de fidelidade do grupo. Segundo a empresa brasileira, após o fim da transação, a Latam avaliará as melhores opções de aliança para o grupo.

Os passageiros vão continuar a juntar pontos nos respectivos programas, mesmo aqueles que são donos de contas nas duas companhias aéreas. As empresas, no entanto, admitem que vão trabalhar para criar um programa único para os passageiros da Latam.

Longo prazo. "Não há nenhuma mudança no programa de fidelidade e a Multiplus segue pertencendo à TAM S.A. e como companhia aberta", afirmou Líbano Barroso, presidente da TAM. Ainda assim, Barroso disse que a união das empresas representa para a Multiplus uma oportunidade de expandir-se a todos os países onde a chilena opera.

"A TAM já tem cartões em parceria com o Itaú na América Latina e pontos de atendimento para programas de fidelidade em outros países da América do Sul. Ainda não temos números, mas sem dúvida é uma oportunidade para a Multiplus, que nasceu para ser um grande programa de milhagem na América Latina."

Mais opção de voos. Segundo Barroso, após a criação da Latam, prevista para ocorrer em até nove meses, os clientes das companhias terão mais possibilidades de voos, com menos tempo de conexão. "Também vão ter mais destinos na Europa, do lado do Pacífico, e estamos analisando outras possibilidades de voos, como para a África", destacou o presidente da TAM.

Como o negócio com a LAN se deu na esfera da TAM S.A., todas as suas subsidiárias entraram na transação. O mesmo vale para o centro de manutenção, reparos e revisões (MRO, na sigla em inglês), para a TAM Cargo, a TAM Mercorsur, a TAM Viagens e a Pantanal Linhas Aéreas. Só fica de fora do acerto com a LAN a TAM Aviação Executiva, controlada apenas pela família Amaro.

O presidente da TAM S.A., Marco Antonio Bologna, disse ontem na teleconferência com analistas que a Latam terá a mais ampla malha de cargas na América Latina e será a número um em transporte regular de passageiros na região, sendo a segunda em rotas aos Estados Unidos e Canadá.

"Seremos a primeira latino-americana com fôlego para competir no mercado global e a terceira maior aérea do mundo em valor de mercado (US$ 10,6 bilhões), sendo a maior com capital 100% privado", destacou.

PARA LEMBRAR

Na última sexta-feira, a TAM e a LAN anunciaram o plano de fusão das suas operações. A aprovação do negócio que criará a maior companhia aérea da América Latina está condicionada ao sinal verde dos acionistas e dos órgãos reguladores do Brasil e do Chile. Por enquanto as empresas estão em fase de due dilligence, em que uma analisa com profundidade os números da outra.

A LAN atende a cerca de 70 destinos e a TAM, incluindo os acordos comerciais, opera 106 rotas. Por conta da alta do valor das ações da TAM no dia do anúncio, a Comissão de Valores Mobiliários vai investigar se a informação sobre o negócio vazou.

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