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Paulo Whitaker/Reuters
Aeronave da Latam Paulo Whitaker/Reuters

Latam e Azul encerram acordo de compartilhamento de voos

Parceria havia sido firmada em junho do ano passado, no pior momento da crise, mas teve pouco efeito prático, segundo Latam; companhia começa a ampliar serviços no País

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2021 | 20h16

Diante dos sinais de recuperação no setor aéreo, as companhias aéreas Latam e Azul decidiram encerrar o acordo de "codeshare" que haviam firmado em junho do ano passado. A parceria, que permitia que as empresas vendessem passagens para voos da concorrente e ganhassem uma comissão por isso, será encerrada em 22 de agosto.

Segundo o presidente da Latam no Brasil, Jerome Cadier, o acordo não correspondeu às expectativas. A ideia era que ele ajudasse as empresas a encherem seus voos, dado que havia a possibilidade de o passageiro realizar um trecho da viagem com uma das companhia e o outro com a concorrente. Hoje, porém, menos de 2% dos passageiros transportados pela Latam compram suas passagens com a Azul, diz Cadier. “Esperávamos um crescimento, mas, o tempo foi passando, e vimos que essa alta não veio na proporção esperada.”

Latam também pretende aumentar sua oferta nos próximos meses, respondendo ao aumento da demanda, o que tornaria a parceria com a Azul ainda menos relevante.

Segundo Cadier, a empresa pretende contratar 750 tripulantes até dezembro – no ano passado, 2.700 foram demitidos –, ampliar a frota de cargueiros de 11 para 21 aeronaves e receber mais sete aviões para o transporte doméstico de passageiros.

Apesar de março e abril terem sido meses difíceis para o setor, a Latam percebeu uma melhora em maio e projeta estar operando com 90% da capacidade em dezembro, na comparação com o mesmo mês de 2019. No mês passado, a aérea operou com 38% e, agora, está com 49%.

Entre os sinais de recuperação, a companhia também percebeu uma queda no número de passageiros que compram passagem mas não aparecem para viajar. Há 45 dias, eles correspondiam a 14% do total. Hoje, esse número está em 6% e a média anterior à pandemia era de 5%.

A Azul ainda não se pronunciou sobre o assunto.

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Azul não queria fim da parceria com a Latam e tentou comprar operação brasileira da concorrente

Azul afirmou que o encerramento do acordo de ‘codeshare’ é 'uma reação (da Latam) ao processo de consolidação' do mercado; já a Latam anunciou o fim da parceria alegando que não cumpriu com as expectativas

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2021 | 22h22

A parceria de compartilhamento de voos entre a Latam e a Azul chegou ao fim em meio a uma nova crise entre as duas companhias aéreas. No ano passado, quando o setor atravessava o período mais difícil da pandemia, elas firmaram um acordo para compartilhar voos, em uma tentativa de ambas alavancarem receitas. Nesta segunda-feira, 24, a Latam anunciou o fim da parceria alegando que ela não cumpriu com as expectativas. Já a Azul afirmou  que o encerramento do acordo de ‘codeshare’ é uma “uma reação (da Latam) ao processo de consolidação” (do mercado).

Segundo apurou o Estadão, a Azul não queria o fim da parceria e vinha tentando ampliá-la. A companhia havia iniciado conversas para tentar comprar a operação da concorrente no Brasil, de acordo com fontes do mercado. Em nota, a Azul afirmou que “acredita que um movimento de consolidação é uma tendência do setor no pós-pandemia” e que “está em uma posição forte para conduzir um processo nesse sentido”. A empresa informou ainda ter contratado consultores para avaliar as “oportunidades de consolidação da indústria”.

No ano passado, quando as duas empresas se uniram - e com a Latam em recuperação judicial -, já circulava no mercado a informação de que a Azul queria ficar com uma parte de sua concorrente. Agora, porém, o clima entre elas se deteriorou.

Com a pandemia, a Azul, que era a terceira maior aérea do País, avançou no mercado e se tornou a maior empresa doméstica, com 37,5% de participação no acumulado do ano. A Latam perdeu a segunda colocação e agora ocupa a terceira, com 27%. A Gol detém 29,9%.

Uma eventual compra da Latam Brasil pela Azul poderia enfrentar resistência no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), pois a empresa resultante concentraria 60% do mercado.

Essa não é a primeira vez que as duas empresas entram em crise. Em 2019, elas travaram uma disputa na Justiça, que envolveu também a Gol, para ficar com os horários de pouso e decolagem (slots) da Avianca Brasil no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Durante o processo de recuperação judicial da Avianca, os presidentes das companhias chegaram a trocar farpas publicamente.

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