Lava Jato impacta balanço da Petrobrás

Estatal admite que depoimentos de Paulo Roberto Costa na operação da Polícia Federal podem mudar os resultados contábeis da empresa

Antonio Pita / Rio, O Estado de S. Paulo

17 de novembro de 2014 | 00h09

A Petrobrás admitiu, em anúncio publicado nas edições de ontem e de hoje de jornais brasileiros, que a Operação Lava Jato desencadeada pela Polícia Federal poderá impactar os resultados financeiros da estatal.

Em um trecho do anúncio é informado que, se as declarações do ex-diretor de Abastecimento da empresa Paulo Roberto Costa à Justiça Federal forem verdadeiras, elas “podem impactar potencialmente as demonstrações contábeis da companhia”. Na prática, a empresa dá a entender que após o resultados das investigações o balanço terá de ser modificado.

Depois de perder o prazo para a divulgação do balanço financeiro referente ao terceiro trimestre, que venceu na última sexta-feira, a Petrobrás publicou o anúncio em jornais com uma espécie de satisfação à opinião pública. Pressionada pelo mercado financeiro, que aguarda seus dados contábeis, e pelas investigações da PF, que expõem a dimensão e o impacto da corrupção no caixa da empresa, a estatal optou por divulgar apenas as informações operacionais positivas – o único aspecto que ainda mantém a companhia de pé.

Além do anúncio, a Petrobrás aproveitará a conferência de apresentação de resultados trimestrais, nesta segunda-feira, para fazer uma espécie de desagravo sobre a crise institucional que abateu a companhia nas últimas semanas.

Na pauta, está uma nova tentativa de explicar as razões que levaram a auditoria externa a não validar seus indicadores financeiros, além das conclusões de sindicâncias internas sobre as evidências de corrupção em seus contratos. A apresentação destacará a alta de 9% da produção no trimestre, na comparação com 2013 - a única estratégia possível para a estatal resgatar a credibilidade junto ao mercado e à opinião pública.

Caberá à diretoria executiva dar as explicações aguardadas – a presença da presidente Graça Foster não estava confirmada até à noite de ontem. A executiva evita discursos e entrevistas desde junho e sequer assina o anúncio publicado nos jornais sobre as medidas adotadas durante a crise. Não é uma posição confortável, sobretudo diante da exposição pública da intimidade de alguns de seus ex-colegas com a corrupção.

Desvios. Após oito meses, a estatal anunciou aos conselheiros, em reunião na última sexta-feira, que suas auditorias internas confirmaram “desvios de comportamento e quebra de regras” nas três principais obras investigadas pela Operação Lava Jato. Não foram citados os responsáveis. 

A Petrobrás classificou como “irregularidades no cadastro” as apurações sobre duas empreiteiras envolvidas no esquema, a Sanko Sider e a Toyo Setal. Executivos de ambas detalharam à Justiça Federal, após acordo de delação premiada, pagamentos de propina que chegavam a US$ 8 milhões somente na Diretoria Internacional.

Sob alegação de que precisaria analisar melhor as auditorias e o impacto das denúncias sobre as finanças da empresa, a PricewaterhouseCoopers (PwC) se recusou a validar o balanço trimestral da Petrobrás, na última quinta-feira. A estatal perdeu o prazo legal para apresentação dos resultados e poderá ser penalizada pelos órgãos reguladores.

Após três confusos comunicados, a diretoria decidiu manter a teleconferência programada para hoje.

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