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Lavagem da louça

A inflação em 12 meses atinge agora o seu nível mais alto desde novembro de 2003, chega a 9,56%; Ainda neste ano, esse indicador deverá seguir em alta

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2015 | 21h00

Os números sobre a evolução do IPCA divulgados nessa sexta-feira pelo IBGE dizem algumas coisas e escondem outras.

O que mais dizem é que a inflação em 12 meses atinge agora o seu nível mais alto desde novembro de 2003, chega a 9,56%. Ainda neste ano, esse indicador deverá seguir em alta.

Há alguns meses, estava muito concentrada na esticada dos preços administrados. A política passou a ser realinhar os preços, cujos reajustes foram deliberadamente atrasados no ano passado com o objetivo de facilitar a reeleição da presidente Dilma. A inflação mensal, no entanto, seguia muito espalhada na economia. Agora, a concentração no segmento dos administrados já é bem menor, mas a alta de preços continua fortemente generalizada. O índice de difusão, que mede o número de itens da cesta de consumo que apresentaram  avanço de preços, continua bastante alto. Foi de 68,8% em junho e de 66,3% em julho.

O que mais não dizem os novos números é que, se não acontecer uma catástrofe fiscal - e não é provável que aconteça -, a inflação calculada entre um mês e outro tende agora a enfraquecer. E há razões para isso. 

O salário corroído pela própria inflação, o desemprego avançando, os juros na lua, o crédito bem mais fraco e a disseminação de um astral sufocante por toda a economia vêm derrubando o consumo, e este se tornou fator decisivo no controle de preços. O vendedor que insistir em puxar demais os preços para cima corre agora mais risco de ver encalhada sua mercadoria.

Do ponto de vista da meta de inflação (4,5% ao final de dezembro), este ano está perdido. A penalidade para a autoridade monetária pelo descumprimento tal como prevista em lei é apenas protocolar. O presidente do Banco Central fica encarregado de enviar uma carta ao ministro da Fazenda expondo as razões pelas quais deixou que a meta estourasse para além da margem de escape permitida. Mas ficam mais evidentes os prejuízos para a credibilidade do Banco Central, que prometeu uma coisa e entregou outra. Mas, convenhamos, esses prejuízos também são relativos, porque, desde dezembro do ano passado, o único compromisso reafirmado pelo Banco Central é reconduzir a inflação ao centro da meta em dezembro de 2016. Para isso, será preciso não deixar que se acumule louça suja em cima da pia que contamine as estatísticas do ano que vem.

É por isso que o governo descarregará nos próximos meses todo o atraso dos preços administrados que ainda persista: tarifas de energia elétrica, pedágios e impostos. No momento, não há reajustes pendentes na área de combustíveis.

Mas há o efeito câmbio. Até a semana passada, o Banco Central seguiu comprando US$ 4 bilhões por mês no câmbio interno, política indicativa de que prevalecia a determinação de levar a cotação da moeda estrangeira à altura dos R$ 3,50 por dólar. Essa intervenção parou agora. Isso significa que o impacto da alta do dólar sobre a inflação (por meio do impacto sobre os importados) agora é residual. Mas ainda é preciso ver se a crise política não vai atuar como puxadora das cotações e, portanto, como fator de inflação.

CONFIRA:

Aí está a  dívida total da Petrobrás nos últimos sete trimestres.

Carga pesada

A dívida sufocante, o passivo tributário, as indenizações a que está sujeita nos processos nos Estados Unidos, mais a limpeza dos desmandos administrativos – tudo isso estrangula as finanças da Petrobrás, como a divulgação do seu balanço na última quinta-feira bem mostrou. Falta saber qual será o impacto da nova derrubada dos preços. As cotações do tipo Brent fecharam a semana abaixo dos US$ 50 por barril. A empresa opera com custos de US$ 45 por barril produzido.

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