Lavagna ainda não conseguiu convencer o FMI

O ministro de Economia, Roberto Lavagna, ainda não conseguiu convencer o Fundo Monetário Internacional a enviar uma missão negociadora à Argentina. Depois de uma maratona de reuniões entre os diretores do organismo com o ministro, a decisão do FMI deverá sair somente hoje. Tanto o FMI quanto o Tesouro norte-americano não receberam nenhum pedido de dinheiro extra, apenas o suficiente para realizar a rolagem dos US$ 9 bilhões que a Argentina tem que pagar ao próprio FMI, ao BIRD (Banco Mundial) e ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), entre julho deste ano ao final de 2003.O diretor-gerente do FMI, Horst Köhler, realizará uma reunião informal da diretoria para analisar o caso argentino. Também nesta sexta-feira, Lavagna se reunirá com o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento. O mercado não acredita que desta reunião saia a decisão de enviar a missão negociadora, devido à instabilidade social do país que poderá precipitar a saída de Eduardo Duhalde da presidência. Consideram que o FMI esperaria "um pouquinho mais".O protesto de ontem reuniu mais de 10 mil pessoas em frente à Casa Rosada, sede do governo, na praça de Maio. Para a sorte de Duhalde, não houve nenhum incidente, pelo contrário, a segurança foi a protagonista da manifestação em repúdio à violência ocorrida na quarta-feira passada, num confronto com a polícia que deixou dois desempregados mortos e quase uma centena de feridos.EleiçõesO cientista político Rosendo Fraga não tem dúvida: "se continua o conflito social, o cenário provável é o de convocação de eleições porque se os confrontos se repetirem, o tempo de permanência de Duhalde na Presidência será acelerado". Já o economista Luis Rappoport não acredita numa explosão provocada pela crise social. Ele acredita que com os piqueteiros nas ruas, os confrontos com a polícia, violência e mortos, são elementos que conduzem as pessoas à refugiarem-se em suas casas."Desta forma, a violência freia a crise social", considera o economista em uma análise peculiar. A afirmação revela que Duhalde não é visto sob o mesmo ponto de vista pelos técnicos. Para muitos, o presidente tem conseguido "desarmar a bomba" financeira e social, como ele próprio diz, e ainda mais: tem evitado a hiperinflação. Porém, a maioria vê o governo sem um programa econômico consistente e sem rumo definido.PessimismoOs empresários também estão preocupados e pessimistas. Uma pesquisa realizada pela Fundação Mercado, especialmente para o jornal El Cronista, revelou que 85% dos empresários argentinos acreditam que o recente episódio de violência debilita o governo e gera mais desconfiança sobre a Argentina no exterior, além de afetar a transição política. Dos 162 empresários ouvidos, 48,4% pensam que o conflito social vai piorar e que haverá novas explosões de violência.Leia o especial

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