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Lavagna anuncia adiamento de reunião sobre salvaguardas

O ministro da Economia, Roberto Lavagna, anunciou que a discussão com o governo brasileiro sobre a aplicação de salvaguardas dentro do Mercosul, será adiada por algumas semanas. O encontro estava previsto para ser realizado no dia 10 de janeiro. No entanto, Lavagna explicou que a reunião entre negociadores brasileiros e argentinos deve ser realizada entre 20 e 25 de janeiro.Desta forma, prolonga-se por mais duas semanas o impasse criado entre os dois países por causa das exigências do governo do presidente Néstor Kirchner em estabelecer um sistema que evite as "assimetrias" do comércio dentro do Mercosul.Lavagna admitiu que o adiamento foi combinado entre ele e o chanceler brasileiro, Celso Amorim, na semana passada, durante a reunião de cúpula de presidentes do Mercosul, realizada em Ouro Preto.O ministro explicou que prefere não referir-se aos mecanismos para evitar as assimetrias comerciais como "salvaguardas": "nós as chamamos de mecanismos de reajuste estrutural". Lavagna disse que os outros países do bloco do Cone Sul, neste caso, o Paraguai e o Uruguai, estariam "interessados em discutir" esses mecanismos.Apesar da saraivada de conflitos comerciais surgidos nos últimos seis meses, Lavagna declarou que "não existem assuntos críticos" com o Brasil.O sistema para evitar "assimetrias" exigido por Kirchner prevê a aplicação de mecanismos para proteger setores empresariais de um país perante desequilíbrios macroeconômicos (como a desvalorização de uma moeda, por exemplo) de outro sócio do bloco do Cone Sul.Além disso, a lista de Kirchner inclui a aplicação de salvaguardas para o caso de eventuais "invasões" de produtos de um país em outro. Os argentinos também exigiram a criação de um "código de bom comportamento" dentro do bloco, para evitar que ocorram preferências excessivas, por parte de uma empresa estrangeira, para instalar-se em um único país do Mercosul. Este ponto refere-se às reclamações do governo Kirchner em relação à empresas internacionais que por questões de mercado e competitividade preferem instalar-se no Brasil, e não na Argentina.A lista de exigências foi entregue pelo ministro Lavagna em Brasília em setembro. No entanto, os dois lados só se reuniram para conversar sobre o assunto no dia 10 de dezembro. Na ocasião, negociadores brasileiros e argentinos tentaram chegar a um consenso sobre o sistema planejado pelo governo Kirchner. No entanto, as negociações terminaram em impasse.Os argentinos alegam que é preciso contar com medidas que possibilitem a "reindustrialização" do país. O argumento do governo Kirchner é que as políticas econômicas neoliberais dos anos 90 "arrasaram" as indústrias na Argentina e que agora é preciso "proteger" a recuperação das empresas. Para isso, seria necessário impedir qualquer espécie de risco de "invasões" de produtos Made in Brazil.

Agencia Estado,

22 de dezembro de 2004 | 08h51

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