Lavagna anuncia hoje fim da recessão; mercado não acredita

O ministério de Economia anunciará hoje que a Argentina começou a sair da recessão, embora a retórica não seja considerada verdadeira para o mercado, nem para os economistas. O ministro de Economia, Roberto Lavagna, já vem preparando o terreno para emplacar sua teoria, baseando-se no fato de que em junho último se registrou o terceiro mês consecutivo de crescimento de quase 1% no índice oficial EMI (Estimador Mensal Industrial). Isto implicaria em um crescimento do segundo trimestre de 2002 em relação aos três primeiros meses deste ano. Porém, alguns economistas consideram que este porcentual é insuficiente para concluir que a recessão chegou ao final e que um novo ciclo de crescimento teve início. Para identificar esta tendência técnica da saída da recessão, será necessário ter números positivos nos dois próximos trimestres também. Os números entre as consultorias e os do governo são divergentes. Segundo os cálculos da Fundação de Investigações Econômicas Latino-americanas (FIEL), entre abril e maio não houve crescimento na atividade manufatureira, mas sim quedas. De acordo com o economista Abel Viglione, da FIEL, para decretar o fim da recessão, é preciso ainda que a indústria tenha um crescimento mensal e consecutivo e também seja registrado um crescimento interanual de, pelo menos, dois trimestres consecutivos. Isto não ocorreria com o número do EMI que será divulgado hoje, já que entre o segundo trimestre de 2002 e o mesmo período de 2001, ao invés de apresentar crescimento, haverá uma queda de aproximadamente 12%. Para Daniel Artana, também economista da FIEL, a confirmação do fim de um processo de recessão também deverá ser amparada pela evolução positiva do PIB, o que não deverá ocorrer neste semestre.

Agencia Estado,

17 de julho de 2002 | 07h44

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