Lavagna dá últimos retoques na carta de intenções

O ministro de Economia, Roberto Lavagna, se reunirá com sua equipe econômica hoje para dar os últimos retoques ao texto do rascunho da carta de intenções com vistas a um acordo com o Fundo Monetário Internacional. O documento deverá ser enviado até amanhã à Washington para a avaliação do FMI para que este decida sobre o envio da missão negociadora à Buenos Aires para fechar o acordo. Fontes do ministério disseram à Agência Estado que desta vez as negociações avançam rumo ao sim do organismo. O que mais entusiasmou o governo foram as declarações, ontem, do sub-secretário do Tesouro norte-americano, John Taylor, de que a Argentina conseguiu avanços importantes "no desenvolvimento de um programa de curto prazo para restabelecer a estabilidade monetária. Nos esperamos que um acordo será alcançado em breve". O que parece ser o último round das negociações com o FMI está recheado de uma nova briga entre o ministro de Economia e o presidente do Banco Central.Roberto Lavagna acusa Aldo Pignanelli de não negociar como lado argentino e sim com "posições funcionais aos interesses do FMI" e considera que o presidente do BC está "empacando os últimos momentos das negociações", segundo versões de uma das fontes do Ministério de Economia. Assessores próximos ao presidente Eduardo Duhalde reconhecem que Pignanelli disputa espaço e poder com Lavagna nas negociações e decisões econômicas e financeiras. Esta quarta briga pública entre os dois funcionários, que acabam debilitando a posição negociadora da Argentina, foi provocada pelo vazamento de informações sobre o conteúdo do rascunho da carta de intenções estudado pela equipe econômica. Lavagna acusa Pignanelli pelo vazamento das informações, as quais a Agência Estado também teve acesso. IrritaçãoA irritação do ministro deve-se a dois fatores: primeiro, porque o FMI desaprova publicidades sobre os acordos que ainda não estão fechados e se encontram na mesa de negociação; segundo, porque existem alguns pontos do rascunho da carta exigidos pelo FMI que Roberto Lavagna está disposto a lutar contra para negociar melhor posição. Dentre estes itens, destacam-se o fato de que o ministro não concorda com a liberação total do controle do mercado de câmbio, como exige o FMI desde quando a conversibilidade caiu; Lavagna não concorda também com mais um arrocho fiscal pedido pelo organismo; por último, ele quer que o FMI conceda US$ 2,4 bilhões de dólares para recompor as reservas e não somente US$ 1 bi, como vem sinalizando o organismo. O bafafá foi tão grande que Roberto Lavagna tinha previsto uma conversa telefônica com o diretor do Hemisfério Ocidental do FMI, Anoop Singh, ontem, que acabou sendo suspensa. Nesta conversa, seria discutido se Singh viria a Buenos Aires para a assinatura do acordo ou se antes disso, seria necessária a presença de Roberto Lavagna em Washington, para acertar os detalhes finais. Uma fonte da Casa Rosada, ligada ao presidente Eduardo Duhalde, considera que Aldo Pignanelli já "foi longe demais nesta disputa pelo poder" com o ministro de Economia. No entanto, o presidente avalia de "inorportuna" qualquer mudança de "personagens" neste momento e que a alternativa é usar a autoridade de "chefe" e mandá-lo baixar a bola. Porém, o presidente do Banco Central é considerado uma pessoa de caráter difícil, ou seja, um brigão, e ele sabe que não convém ao governo sua substituição no capítulo final da novela que já dura 10 meses da negociação entre o FMI e a Argentina.

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